"os métodos analisados têm por finalidade colocar as criptomoedas ociosas em sua carteira para cumprir uma determinada função no mercado"

3 maneiras de fazer suas criptomoedas renderem

Português Mar 22, 2022

Fazer o dinheiro render é um objetivo comum nas mais diversas formas de investimento. Fazer isso de maneira a acumular juros e receber correção monetária é talvez a mais popular, com a poupança sendo uma porta de entrada recorrente para a maioria dos brasileiros.

No universo das criptomoedas, essa modalidade vem ganhando espaço com os desenvolvedores de blockchain criando novas oportunidades de renda passiva que permitem aos investidores a geração de lucros a partir de seus recursos já existentes.

Vamos analisar as 3 principais maneiras de fazer suas criptomoedas renderem, seus principais fundamentos, diferentes riscos e recompensas, de modo a te orientar na sua decisão sobre qual delas pode ser a mais adequada para os seus objetivos específicos.


Neste artigo você vai aprender:

  1. Staking
    1.1. O que é Staking?
    1.2. Como funciona o Staking?
    1.3. Como fazer staking?
    1.4. Riscos do Staking
  2. Liquidity Mining
    2.1. O que é Liquidity Mining?
    2.2. Como funciona a Liquidity Mining?
    2.3. Como fazer Liquidity Mining?
    2.4. Riscos da Liquidity Mining
  3. Yield Farming
    3.1. O que é Yield Farming?
    3.2. Como funciona o Yield Farming?
    3.3. Como fazer Yield Farming?
    3.4. Riscos do Yield Farming
  4. Staking, Liquidity Mining e o Yield Farming: qual a melhor opção?

1. Staking

Dentre as principais maneiras de fazer as suas criptomoedas renderem, o Staking é a mais abrangente. O método pode ser utilizado para oferecer suporte a diversos protocolos, centralizados ou descentralizados, de diversas formas diferentes.

O que é Staking?

Na tradução, o termo Staking significa “congelamento”, mas a palavra "bloqueio" pode ser mais bem empregada nesse caso. Isso porque fazer staking, de modo geral, exige o bloqueio dos seus ativos em determinado protocolo, rendendo recompensas pela garantia de participação desempenhada na validação das transações em uma blockchain.

Para fins didáticos, é possível fazermos um paralelo com o conceito de “dividendos” no mercado de ações, no qual os acionistas têm acesso a uma parcela do lucro líquido das empresas como forma de remuneração pelo seus investimentos.

Vamos aprofundar esta premissa.

Como funciona o Staking?

Como sabemos, o mecanismo de consenso e prevenção ao problema do gasto duplo para as transações do Bitcoin acontece através do sistema Proof-of-Work, ou prova de trabalho. É através da mineração computacional que os nós (nodes) da rede fornecem poder de hash e recebem recompensas por cada bloco minerado na blockchain.

Entenda melhor em: Bitcoin: tudo o que você precisa saber sobre a criptomoeda da nova economia global

Em contrapartida, o modo de verificação por prova de participação, o Proof of Stake (PoS), permite que qualquer pessoa que possua o token nativo de determinado protocolo, possa apostar e configurar seu próprio nó validador na rede.

Novos blocos de transações são adicionados ao blockchain através do direito concedido aos proprietários para fazê-lo, definido a partir de requisitos estabelecidos pelo próprio protocolo, que servirão de base para uma seleção pseudo-aleatória desses validadores Após eleitos, podem dispor de uma boa recompensa por isso.

Um bom exemplo é o método de consenso da rede Polkadot, Nominated Proof of Stake (NPoS), que permite aos detentores de seu token nativo (DOT) aplicar uma grande porcentagem desse capital bloqueado para proteger a rede, designando nós validadores em troca de um rendimento percentual anual (APY).

Reprodução: chaves de sessão para a segurança do staking na re Polkadot. (Imagem: polkadot.network)


Outros protocolos estabelecem configurações próprias em seus respectivos modelos Proof of Stake e, consequentemente, diferentes possibilidades e mecanismos de staking.

Veja os 20 principais tokens que permitem o staking.

  • Ethereum 2.0 (ETH2)
  • Cardano (ADA);
  • Terra (LUNA)
  • Solana (SOL)
  • Polkadot (DOT)
  • Polygon (MATIC)
  • Harmony (ONE)
  • Avalanche (AVAX)
  • Elrond (EGLD)
  • Tezos (XTZ)
  • Algorand (ALGO)
  • Cosmos (ATOM)
  • Axie Intinity (AXS)
  • Binance Coin (BNB)
  • Theta (THETA)
  • ICON (ICX)
  • TRON (TRX)
  • NEO (NEO)
  • EOS (EOS)
  • Stellar (XLM)

Como fazer staking?

Embora cada protocolo utilize critérios particulares para a eleição de seus validadores — como tempo de participação na rede, por exemplo —, em geral a quantidade de tokens que o validador possui será determinante para a sua escolha na maioria dos casos.

No caso da Ethereum 2.0 (ETH2), por exemplo, para se tornar um nó validador na rede o usuário deve bloquear, no mínimo, 32 ETH, o equivalente a quase 100 mil dólares na cotação atual.

Reprodução: Área de staking para ETH na MyEtherWallet (MEW)

Por esse motivo, quanto mais criptomoedas nativas o usuário possui, maiores serão as chances de ser “sorteado” na competição com outros usuários para validar os blocos.

De fato, qualquer pessoa inserida na rede de negociações pode ser escolhida como validadora. Porém, você já deve ter deduzido que as chances disso acontecer serão proporcionalmente delimitadas à quantia que você possui.

Se a sua quantia de moedas representa 0,002% do valor total bloqueado em um protocolo, a probabilidade de ser selecionado é equivalente aos mesmos 0,002%.

Por outro lado, ser dono de uma grande quantidade de tokens não é a única maneira de participar desse processo e obter lucros com isso.

Staking Pools

Como alternativa, um grande número de investidores opta pela alocação de seus recursos nas chamadas “staking pools” — uma espécie de “consórcio” cripto, a partir do qual é possível coletivizar a viabilização do staking.

Funciona assim: um usuário cria uma piscina de staking e um grupo de pessoas se compromete a agregar mais chances de aprovar novos blocos, aplicando novos recursos individuais ao montante de alocações coletivas.

Reprodução: Lista de stakings pools disponíveis na rede Cardano. (Imagem: forum.cardano.org)


A porcentagem das recompensas são definidas pelo titular e então divididas entre os integrantes investidores, sujeitas a cobrança de taxas cujos valores também são pré-determinados pelo proprietário da pool.

Staking centralizado

Os usuários podem apostar seus ativos digitais em plataformas centralizadas. Trata-se da forma mais fácil de fazer com que suas criptos rendam, isso porque você conta com um intermediário que vai descomplicar o processo para você.

Plataformas em geral bastante intuitivas serão grandes aliadas para os investidores iniciantes, promovendo tudo o que é necessário em um investimento simplificado e seguro.

Algumas Exchanges são mais seguras do que outras, por isso pesquise antes de decidir qual combina mais com o seu perfil. Algumas plataformas centralizadas que oferecem suporte para staking são a Kraken, Binance, Tidex, Nexo, Coinbase e BlockFi, por exemplo.

Reprodução: Área com os produtos para Staking da plataforma Binance. (Imagem: binance.com)


Por outro lado, assim como em qualquer serviço prestado por empresas centralizadas, são exigidos do usuário os seus dados pessoais de identificação (KYC).

Da mesma forma, ao aderir a esses serviços, os usuários devem aceitar que os ativos negociados estejam legalmente sob a custódia dessas plataformas, e não sob a sua.

Staking descentralizado

Nesse tipo de Staking os investimentos são realizados através de aplicativos descentralizados (dApps), que integram o ecossistema das finanças descentralizadas (DeFi).

Entenda melhor em: O que é DeFi? O guia completo para finanças descentralizadas.

Os aplicativos descentralizados funcionam com a utilização de contratos inteligentes, que são protocolos criados para tomar decisões automáticas a partir das cláusulas pré-definidas —  sem que para isso seja necessário qualquer tipo de identificação pessoal ou adesão aos termos de serviços de uma empresa.

Em geral, a maneira mais simples de fazer esse procedimento é com o auxílio das software wallets — carteiras virtuais que, além de armazenar, permitem o envio, o recebimento e operações mais específicas com criptomoedas, tais como o staking.

A Atomic Wallet é uma das mais utilizadas.

Reprodução: Em destaque, opção Staking na Atomic Wallet. (imagem: support.atomicwallet.io)


Cada criptomoeda listada na wallet tem sua própria especificidade em relação a rendimento, prazo para recompensa e APY, podendo sofrer variações de acordo com os movimentos de altas e baixas do mercado.

Reprodução: “Primeira recompensa: Em 4 dias; Recompensas regulares: A cada 2 dias; Rendimento anual: 7,4%” (imagem: support.atomicwallet.io)


Você pode aprender o passo-a-passo de como delegar as suas criptomoedas para staking de forma descentralizada a partir da Atomic Wallet na área de suporte para staking do site oficial da carteira:

Staking options in Atomic Wallet
Contents Solana (SOL) Zilliqa (ZIL) Cardano (ADA) Atomic Wallet Token (AWC) Icon (ICX) BAND Protocol (BAND) Cosmos (ATOM) Tezos (XTZ) Tron (TRX) NEO (NEO) Komod

Riscos do Staking

  • Volatilidade: a oscilação de preços típica do mercado de criptomoedas pode fazer com que as taxas obtidas através do staking sejam irrelevantes do ponto de vista do lucro.
  • Slashing: caso alguma atitude do validador seja entendida como mau comportamento (inatividade ou assinatura dupla, por exemplo), a rede irá punir o PL retirando uma parte dos fundos (algo em torno de 0,1% a 5%, dependendo do caso).
  • Ataques Hackers: invasões a protocolos vulneráveis são um risco eminente. Em geral,  projetos menores e em fase inicial de operação são mais suscetíveis a esses ataques.
  • Bugs: problemas técnicos podem colocar em risco o seu acesso a uma operação específica e até mesmo ao seu capital alocado em um protocolo. Em protocolos descentralizados, o usuário não conta com qualquer tipo de suporte técnico.
  • Variação das taxas: em geral, as taxas de juros obtidas passam por mudanças que precisam ser observadas de perto pelo investidor.
  • Taxas abusivas: a prática de staking pode implicar na cobrança de taxas muito altas, sobretudo por parte de exchanges centralizadas.
  • Bloqueio de ativos: a atividade de staking pode implicar no bloqueio de suas criptomoedas durante um certo período de tempo

2. Liquidity Mining

A mineração de liquidez é a precursora dos mecanismos de rendimento do ecossistema DeFi, surgindo desde o início das finanças descentralizadas como uma forma muito eficaz para a geração de liquidez, sendo amplamente considerada como o núcleo comum de serviços como empréstimos e câmbios — pontos fundamentais para a ascensão desses do ecossistema.

O que é Liquidity Mining?

O processo de Liquidity Mining (LM), ou Mineração de Liquidez, acontece através do empréstimo de ativos por parte de seus proprietários para as exchanges descentralizadas (DEX’s), como forma de prover liquidez para o mercado.

Em troca da participação no sistema, os usuários recebem retornos das taxas de negociação — que são acumuladas pelos swaps realizados —, bem como os tokens nativos do protocolo.

Explico.

Como funciona a Liquidity Mining?

Como sabemos, quanto maior a liquidez de um mercado, maior a capacidade de um ativo ser comprado ou ser vendido. Ou seja, pessoas dispostas a vendê-los e comprá-los formam o pré-requisito básico para qualquer mercado, fazendo com que a negociação de um determinado produto seja possível.

No caso das corretoras descentralizadas (Dex’s) originadas no modelo Automated Market Maker (AMM), quando um usuário compra uma criptomoeda, isso não está sendo feito a partir de uma relação estabelecida diretamente com o vendedor proprietário do ativo, mas sim com a pool de liquidez do protocolo.

Por isso, os usuários dessas plataformas de câmbio são os principais responsáveis por manter a saúde das operações, adicionando liquidez às pools, disponibilizando seus ativos para outros usuários e garantindo a viabilidade de todas as movimentações.

Esses são os chamados usuários provedores de liquidez (LP), também referidos como formadores de mercado (market makers).

A Uniswap — atualmente, a maior corretora descentralizada por volume de negociações do mundo —, por exemplo, exige que esse processo ocorra com o fornecimento igualitário dos tokens, representados em um par de criptomoedas de igual valor monetário - normalmente formado por uma criptomoeda e uma stablecoin (Ex: ETH/USDT).

Uniswap Liquidity Pool’s working | (Imagem: Uniswap.org)


Dessa forma, a liquidez provida pelos contribuintes à Uniswap será concedida aos negociantes dos ativos do pool de liquidez UNI/USDT. Como resultado, espera-se que um equilíbrio simbiótico ocorra, com cada parte envolvida no processo (DEXs, LPs e traders) recebendo algo em troca.

Como fazer Liquidity Mining?

A Compound Finance foi a primeira plataforma a introduzir a mineração de liquidez. É certamente a plataforma DeFi mais amigável para iniciantes. Trata-se de um dApp baseado na blockchain da Ethereum que permite aos usuários fazer e tomar empréstimos de maneira descentralizada.

Reprodução: Logotipo Compound Finance (imagem: compound.finance)


Quando o provedor de liquidez deposita uma criptomoeda específica no Compound, isto é, empresta liquidez ao mercado, a plataforma oferece versões cToken (um token de liquidez da plataforma Compound) da mesma moeda.

Por exemplo, se o LP fornece DAI à plataforma, a stablecoin é trocada por um token de liquidez cDAI, que deve acumular taxas de juros líquidos para o titular do cToken. Isso serve como medida para otimizar as operações realizadas pelo protocolo.

No entanto, depois do lançamento de seu token de governança, o COMP, a Compound criou um fluxo adicional de receita ao seu processo de mineração de liquidez. Além das taxas (APY de fornecimento), os LPs também recebem o token nativo de governança da Compound, o COMP (APY de distribuição).

O token tem um valor de mercado por si só (a unidade monetária está avaliada em mais de 100 dólares, segundo a sua cotação atual), mas ainda oferece outra forma de recompensa com privilégios de governança ao proprietário, como poder de voto para definir regras de operação no protocolo.

Isso quer dizer que o fornecedor de liquidez ganha duas formas de APY por contribuição realizada. Da mesma forma, a distribuição do token COMP também é feita para os usuários que tomam as criptomoedas como empréstimo através da plataforma - 50% dos tokens são entregues aos que emprestam e os outros 50% aos que pegam emprestado.

Reprodução: Dados de mercado da stablecoin DAI no protocolo Compound (03/2022). (Imagem: compound.finance/markets/DAI)


Neste exemplo da DAI, o rendimento em taxas de juros pelo fornecimento da stablecoin é de 2.69%. Da mesma forma, o rendimento adicional de 0,93% representa os ganhos em COMP, e os 3.62% são a soma total de seu rendimento com a mineração de liquidez em DAI no Compound.

Para aprender o passo-a-passo de como começar a fazer mineração de liquidez na Compound Finance, selecionei um tutorial produzido pelo canal Altcoin Buzz. Caso não entenda inglês, ative as legendas em português.

“Como usar o Compound Finance - Ganhe juros em criptomoedas!”‌ ‌


Riscos da Liquidity Mining

  • Perda impermanente (IL): a perda temporária acorre na divergência entre o valor atual de ativos depositados na pool e o valor inicial em que esses ativos foram depositados. Quanto maior for essa disparidade, maiores serão as perdas.
  • Perda Permanente (PL): caso o provedor de liquidez opte por retirar os seus ativos depositados em uma pool na qual a IL está em andamento, a perda dessas taxas será permanente.
  • Liquidação: caso uma conta ultrapasse o limite de empréstimo determinado pelo protocolo, o usuário corre o risco de ser liquidado sem chance de recorrer.
  • Volatilidade: a oscilação de preços típica do mercado de criptomoedas pode fazer com que os rendimentos obtidos através da Liquidity Mining sejam irrelevantes em um cenário de grande queda.
  • Ataques Hackers: invasões a protocolos vulneráveis são um risco eminente. Em geral,  projetos menores e em fase inicial de operação são mais suscetíveis a esses ataques.
  • Bugs: problemas técnicos podem colocar em risco o seu acesso a uma operação específica e até mesmo ao seu capital alocado em um protocolo. Em protocolos descentralizados, o usuário não conta com qualquer tipo de suporte técnico.
  • Variação das taxas: em geral, as taxas de juros obtidas passam por mudanças que precisam ser observadas de perto pelo investidor.

3. Yield Farming

O Yield Farming surgiu em meio às primeiras implementações dos modelos de governança no chamado DeFi Summer, em 2020. Ao mesmo passo em que mais expansões, melhorias tecnológicas, delegação das tomadas de decisão à comunidade e demais medidas pró descentralização das plataformas eram realizadas, o mercado caminhou para um método diferente de investimento em renda passiva.

O Yield Farming desempenha essencialmente o mesmo processo da mineração de liquidez, porém com diferenças cruciais que fazem dessa modalidade o método mais popular para fazer render as criptomoedas passivamente, com rendimentos expressivos proporcionais aos riscos assumidos.

Vamos entender melhor.

O que é Yield Farming?

O termo Yield Farming (YF) é traduzido literalmente por “Agricultura de Rendimento”, porém “Cultivo de Rendimentos” é uma tradução mais adequada neste caso.

Assim como a Liquidity Mining, o processo do Yield Farming envolve tokens LP que os usuários formadores de mercado emprestam com o objetivo funcional de fornecer liquidez para os protocolos AMM.

Embora compartilhem muitas semelhanças, o conceito é mais recente do que o de Liquidity Mining e trouxe algumas ampliações a partir dessa subdivisão.

Enquanto o procedimento de mineração visa prover liquidez para os protocolos em troca de juros e tokens nativos, o foco dos investidores em cultivo de liquidez está voltado para as taxas de juros obtidas pelo fornecimento.

Essa particularidade dá um outro sentido à atividade do LP, levando-o a uma busca assídua pelo maior rendimento possível de seus recursos, aplicados em diferentes pools de liquidez para obter os melhores retornos oferecidos entre as opções disponíveis.

Como funciona o Yield Farming?

De modo geral, o empréstimo dos ativos é feito em plataformas como a AAVE, Compound e dYdX. Porém, protocolos como a Uniswap, Curve Finance e SushiSwap, por exemplo, oferecem a possibilidade de que o depósito desses ativos seja feito de modo a fornecer a liquidez necessária, gerando taxas a cada swap validado na rede.

O truque para que os rendimentos com essa atividade sejam maximizados, consiste no fato de que os market makers podem transferir esses tokens gerados para outros e mais outros protocolos, multiplicando o valor de seus ativos e criando uma engrenagem de ganhos consecutivos.

A depender da exchange, da pool de liquidez e do par utilizado pelo LP, as porcentagens de rendimento, prazos e especificações do aporte variam, sendo classificadas em geral como APY ou APR (geralmente definidos pela porcentagem do pool que um depositante compõe).

Obviamente, o Yield Farming é um processo que depende de um nível mais elevado de conhecimento e familiaridade com as operações do sistema DeFi. No entanto, algumas soluções foram criadas no meio do caminho para facilitar o acesso a essa prática até mesmo para os entusiastas não técnicos.

Como fazer Yield Farming?

O Yield Finance ($YFI) é um protocolo totalmente descentralizado que dá aos LPs uma visão panorâmica de todas as plataformas que permitem a alocação de recursos para prover liquidez e realizar lucro com isso.

Logotipo Yield Finance. (Imagem: google imagens)


Com o auxílio dessa ferramenta, as estratégias para o melhor rendimento são formuladas de maneira automática pelos algoritmos da plataforma.

Os insights são fornecidos pelo mecanismo Yearn Vaults, responsável por te ajudar a decidir sobre qual estratégia é mais adequada às suas necessidades, redirecionando os seus recursos por meio de uma ampla lista de oportunidades ordenadas pelos maiores APYs, auxiliando na composição de um acervo e no reequilíbrio de seus aportes.

Reprodução: Seção Yearn Vaults do Yield Finance 


Vale ressaltar que a custódia pelos ativos continuam sendo do LP, podendo ser transferidos de volta para wallet de origem a qualquer momento.

O protocolo oferece também uma opção ainda mais facilitada, a Earn. Em vez de usar estratégias complexas, o Earn transfere os empréstimos entre os protocolos no exato momento em que suas respectivas taxas de APY aumentam ou diminuem, selecionando as melhores pools de liquidez em tempo real para dar o máximo de eficiência ao seu capital.

Você pode aprender o passo-a-passo para utilizar esses os demias produtos do protocolo Yield Finance e começar a fazer Yield Farming de forma simplificada com a ajuda do guia oficial elaborado pela equipe do projeto:

Using Yearn | Yearn.finance
Thanks to a feature called ‘zap’, it’s extremely easy to deposit into any vault with almost any token.

Riscos do Yield Farming

  • Perda impermanente (IL): A divergência entre o valor atual de ativos depositados na pool e o valor inicial em que esses ativos foram depositados. Quanto maior for essa disparidade, maiores serão as perdas.
  • Perda Permanente (PL): caso o provedor de liquidez opte por retirar os seus ativos depositados em uma pool na qual a IL está em andamento, a perda desses rendimentos será permanente.
  • Liquidação: caso uma conta ultrapasse o limite de empréstimo determinado pelo protocolo, o usuário corre o risco de ser liquidado sem chance de recorrer.
  • Volatilidade: a oscilação de preços típica do mercado de criptomoedas pode fazer com que os rendimentos obtidos através da Yield Farming sejam irrelevantes em um cenário de grande queda.
  • Ataques Hackers: invasões a protocolos vulneráveis são um risco eminente. Em geral,  projetos menores e em fase inicial de operação são mais suscetíveis a esses ataques.
  • Bugs: problemas técnicos podem colocar em risco o seu acesso a uma operação específica e até mesmo ao seu capital alocado em um protocolo. Em protocolos descentralizados, o usuário não conta com qualquer tipo de suporte técnico.
  • Variação das taxas: em geral, as taxas de juros obtidas passam por mudanças que precisam ser observadas de perto pelo investidor.

Staking, Liquidity Mining e Yield Farming: qual a melhor opção?

De uma maneira geral, os métodos analisados têm por finalidade colocar as criptomoedas ociosas em sua carteira para cumprir uma determinada função no mercado. Alguns tipos são mais rentáveis do que outros, mas a escolha por uma dessas modalidades de investimento em renda passiva com criptomoedas deve levar em conta fatores que contribuem para uma visão mais ampla do cenário.

Se levarmos em conta que os rendimentos dos tipos de mecanismos abordados neste artigo são proporcionais aos riscos assumidos, tanto o staking, quanto a liquidity mining e o yield farming, oferecem opções de exposição para todos os perfis de investidores, considerando os seus variados níveis de conhecimento sobre os criptoativos e quão dispostos estão a encará-los.

Da mesma forma, a escolha por uma modalidade investimento entre as apresentadas não é necessariamente uma decisão radical. Afinal, uma possibilidade não anula a outra, e essa talvez seja uma oportunidade de organizar as suas ações em portfólio diversificado para renda passiva em criptomoedas.

No fim das contas, cabe exclusivamente ao investidor projetar o seu perfil - seja ele conservador, moderado ou arrojado - em paralelo aos possíveis cenários, alinhar as suas decisões com os seus objetivos, expectativas de ganhos e também riscos de perdas.

No entanto, embora a renda passiva possa parecer um investimento confortável em alguns ambientes dos mercados tradicionais, podemos dizer que no mundo das criptomoedas o investidor precisa saber lidar com os fenômenos típicos de um mercado relativamente novo e essencialmente visionário.

Ao contrário disso, é preciso ter em vista a sua característica altamente desconfortável, frequentemente associada aos seus efeitos futuros e suas pretensões absolutamente disruptivas.


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O Conteúdo deste Blog está disponível para fins meramente informativos e educacionais. Os artigos postados não constituem e não devem ser encarados, em nenhuma hipótese, como qualquer aconselhamento ou recomendação de investimento, tampouco como garantia de resultados ou rentabilidades em investimentos de qualquer natureza.

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Ailton Filho

Professor, content producer, executive MBA in marketing, technologies and digital business. Politics, philosophy and finances • Living the cryptoeconomic revolution.