O aumento das tensões vem em um momento em que o mercado estava mostrando sinais de recuperação. Agora, em meio à pandemia de coronavírus, o mundo poderá em breve enfrentar uma nova ameaça geopolítica: os Estados Unidos e a China entrando em um novo tipo de Guerra Fria.

No último domingo, a China alertou que suas relações com os Estados Unidos estão "à beira de uma nova Guerra Fria", ainda mais tensa pela pandemia do COVID-19, que está avançando rápido na América Latina.

A crise da saúde exacerbou as relações já duras entre a China e os Estados Unidos, e as duas potências estão constantemente lançando ataques verbais.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que Washington se infectou com um "vírus político" que tira proveito de "todas as ocasiões para atacar e difamar a China".

"Algumas forças políticas dos EUA estão tomando as relações China-EUA como reféns e levando nossos dois países à beira de uma nova Guerra Fria", disse o chanceler a repórteres.

Os conflitos se acentuaram desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma carta ao chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) ameaçando retirar o financiamento dos EUA permanentemente da organização por haverem conduzido mal a situação com o Covid-19.

A carta descreve um prazo de 30 dias para o organismo se comprometer com "melhorias substanciais" ou corre o risco de perder milhões, além da participação dos EUA por completo. Endereçada ao chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a carta critica os estágios da resposta da organização desde dezembro.

Na segunda-feira, Trump chamou o corpo de saúde da ONU de "fantoche da China".

O presidente, candidato a reeleição este ano, tem sido fortemente criticado pelo modo como está lidando com a pandemia ao culpar a China por tentar encobrir o surto e acusar a OMS de não responsabilizar Pequim. Até que as tensões sejam resolvidas, o mercado continuará apresentando fortes oscilações e atuando de maneira imprevisível.