Como minerar criptomoedas em casa de forma lucrativa?

Português Apr 8, 2022

Até uma década atrás, você não precisaria ter o próprio laboratório com computadores, ou fazendas de mineração para fazer com que algumas criptomoedas fossem criadas todos os dias. Para fazer isso, bastava que você tivesse um computador mediano, acesso à internet e algum conhecimento técnico.

Apesar dessa possibilidade parecer distante nos dias de hoje, nós vamos nos esforçar para mostrar a você que ainda é possível minerar criptomoedas em casa de forma lucrativa.  

Detalhamos o cenário atual da mineração de criptomoedas a fim de que você possa estar devidamente ambientado para dar início a essa atividade, bem como obter uma orientação correta para evitar cair nos frequentes golpes e fraudes associados a isso e evitar prejuízos e obter lucro.


Neste artigo você vai aprender:

  1. Minerar Bitcoin ainda é lucrativo?
  2. Como identificar uma boa criptomoeda para minerar?
    2.1. O que preciso saber sobre placas de vídeo?
  3. 3 criptomoedas promissoras
  4. Pools de mineração
    4.2 Como funciona uma pool de mineração?
    4.3. Como as recompensas são pagas?
    4.4. Como identificar uma boa pool de mineração?
  5. A mineração de criptomoedas é segura?
  6. Perspectivas para o futuro da mineração das criptomoedas
    6.1. Prova de participação
  7. Afinal, vale a penas minerar criptomoedas?

Minerar Bitcoin ainda é lucrativo?

O Bitcoin foi a primeira criptomoeda do mundo e, naturalmente, a primeira a ser minerada. A partir do seu lançamento em 2008, por Satoshi Nakamoto, o minerador passa a ser responsável pela validação dos blocos na Blockchain, possibilitando as transações e prati camente todo o sistema no qual a moeda eletrônica está submersa.

Entenda melhor em: Bitcoin: tudo o que você precisa saber sobre a criptomoeda da nova economia global

Em suma, os computadores (nós) inseridos na rede Bitcoin, concorrem para realizar a mineração e serem recompensados com as moedas recém-geradas + taxas das transações. Aquele que oferecer o maior poder computacional para tal, é eleito para validar os blocos.

No início dessa dinâmica, qualquer computador ordinário tinha o potencial para exercer essa função, que com o tempo passou a exigir um verdadeiro aglomerado tecnológico para ser executada.

Teoricamente, o princípio “democrático” da mineração de Bitcoin ainda é o mesmo. Porém, na prática, isso significa que a atividade doméstica é uma possibilidade que deve levar em conta as mudanças progressivas no poder de processamento dos múltiplos supercomputadores alocados para este fim.

Portanto, mesmo que ainda tentem te vender CPUs e GPUs para a mineração de Bitcoins como um investimento potencialmente lucrativo, vamos economizar o seu tempo para dizer que se você não estiver disposto a competir com usinas de energias elétrica, geotérmica e até nuclear, suas chances de conseguir algum lucro com a mineração de bitcoin é praticamente nula.

Usina de energia vulcânica responsável pela mineração de Bitcoins em El Salvador. (imagem: xataka.com).

Como alternativa à mineração de Bitcoins, extrair algumas outras criptomoedas com o auxílio do seu computador de uso é uma possibilidade mais plausível. A mineração de altcoins é o foco do nosso texto e detalharemos os seus fundamentos nos próximos tópicos.

Como identificar uma boa criptomoeda para minerar?

No caso da mineração doméstica, a energia elétrica será o impulso condutor dos trabalhos. Por isso, analisar uma opção para mineração deve levar em consideração esse aspecto fundamental. Afinal, você não vai querer pagar uma nota em sua conta de energia no fim do mês e não conseguir compensar esse custo com os ganhos minerados, não é mesmo?

Essa análise pode ser feita buscando saber qual é a taxa de hashes por segundo (MH/s) da placa de vídeo do seu computador.  O cálculo para saber se no seu caso vale a pena minerar uma criptomoeda dentro da sua casa pode ser feito com o auxílio da ferramenta Whattomine.


O Whattomine é uma calculadora que irá verificar para você quais são as criptos mais rentáveis de acordo com a sua taxa de energia elétrica e da sua taxa de hashrate, que pode ser entendida neste contexto como a taxa da mineração.

A obtenção desses dados ocorre da seguinte maneira:

  1. Preencha o campo GPU com o modelo da sua placa de vídeo. Ao fazer isso, as velocidades dos algoritmos serão preenchidas automaticamente.
  2. Preencha a taxa de energia elétrica convertendo o valor dos Kwh da sua cidade para dólares. Por exemplo, se o Kwh em São Paulo no ano de 2022 custa 54 centavos de real no horário fora de ponta, convertido para o dólar - segundo a sua cotação atual (4,77 reais) -, o resultado é de 11 centavos de dólar. É esse valor que um minerador de São Paulo deve inserir.
  3. Verifique no campo abaixo as moedas mais rentáveis, como aparece na imagem acima.

Outra calculadora digital muito utilizada é a CoinWars.

Essa ferramenta faz o cálculo entre o GH/s do seu equipamento e o consumo de energia utilizada nos algoritmos de mineração das altcoins, sejam eles SHA-256, Scrypt, X11 ou Groesti. Cada Altcoin possui seu próprio algoritmo de validação.

As criptomoedas menores costumam ser mais lucrativas, mas como o valor delas muda com mais frequência do que o das altcoins já estabelecidas, fica difícil determinar a certeza do retorno.

O que preciso saber sobre placas de vídeo?

Com a pandemia do coronavírus, os insumos para a fabricação das placas de vídeo ficaram mais escassos. Em contrapartida, uma alta pelo interesse em mineração das criptomoedas deu novo enfoque às funções das placas de vídeo comumente associadas aos games. Tanto a escassez como a ampliação de seus horizontes funcionais tiveram impacto na valorização desses produtos.

Hoje o preço de uma placa de vídeo mediana para quem quer começar a minerar criptomoedas diretamente de casa, gira em torno de 3.000 reais. É o caso das NVIDIA GeForce GTX TI e 1660.

Da mesma forma, esse preço pode chegar até pouco mais de 6.690 reais no caso de um hardware mais potente, como o exemplo da ASUS ROG STRIX GeForce RTX 2070.


3 criptomoedas promissoras

Hoje existe uma infinidade de criptomoedas disponíveis para a mineração. São tantas opções que as comparações entre essas criptomoedas se tornam uma árdua tarefa.


Destacamos a mais valorizada depois do Bitcoin. Para minerar a ETH - token nativo da rede Ethereum - é necessário baixar a Blockchain no site oficial e conectá-la à sua carteira.

Sabe-se que a rede Mainnet, da Ethreum, está passando por atualizações periódicas desde 2020, e já anunciou uma mudança gradual do seu mecanismo de consenso de Prova de Trabalho (PoW) para Prova de Participação (PoS).

Por enquanto, o algoritmo permanece sendo PoW, e a função usada na sua mineração é a Ethash. A recompensa por bloco minerado é de 2 ETH e este é o código fonte.


A Syscoin (SYS) é outra criptomoeda muito interessante. Desde o seu lançamento em 2014, ela oferece taxas de transações mais baratas (quase zero). Sua infraestrutura comercial também é muito potente.

Trata-se de um marketplace descentralizado que permite a venda de diversos produtos próprios, além de possibilitar uma renda extra para aqueles que queiram revender produtos de terceiros em troca de uma comissão. Você pode ter sua própria loja.

Sua mineração é baseada na mesma função do Bitcoin,  SHA-256. A recompensa pelo bloco minerado é de 34,65 SYS. O código fonte pode ser acessado aqui.


A Litecoin (LTC) foi lançada em 2011, sendo uma das primeiras bifurcações do código-fonte do Bitcoin. Uma das suas maiores vantagens é o que a torna tão promissora: a velocidade de suas transações não passa de 2 minutos e meio.

Seu algoritmo de mineração é o PoW, porém a função é a Scrypt - o que torna a mineração simples, podendo ser feita através de uma CPU. A recompensa por bloco minerado é de 12,50 LTC. Até o ano de 2142, 84 milhões de LTCs serão produzidas - quantidade quatro vezes maior do que o máximo de Bitcoins gerados (21 milhões até 2140). O código fonte pode ser acessado aqui.

Pools de mineração

O termo “pool” (“piscina” em português), faz referência a um conjunto formado  pelos nós (nodes) de uma rede blockchain, responsável pela mineração dos blocos de maneira coletiva, unindo poderes computacionais individuais de modo a agrupá-los com o objetivo de aumentar as chances na competição pela validação das transações e obtenção de suas recompensas.

Como funciona uma pool de mineração?

Um elemento chave na maneira de funcionamento de uma pool de mineração é o “nonce”. Trata-se de uma sequência única de números usada para validar os blocos através do poder de hash dos usuários.

A garantia de que o processo ocorra em conformidade às boas práticas, evitando fraudes e assegurando a capacidade de processamento de dados, é dada a partir da observância de um coordenador responsável pelas funções de organização, distribuição de recompensas e demais pontos críticos de manutenção da segurança em rede.

A operação cooperativa é realizada com o auxílio de um servidor que unifica o poder computacional através de um softwere, que armazena as informações programadas e soluciona os cálculos para a validação das transações, dando autenticidade a todo o processo.

Como as recompensas são pagas?

Pay-per-share: o valor repartido pelos participantes é fixo. Nesse sistema, o minerador recebe o pagamento mesmo que o bloco não seja encontrado pela pool.

Full Pay Per Share ou Pay Per Share+:  basicamente o mesmo que Pay Per Share, com a diferença de que os usuários recebem as recompensas + taxas de transação validadas.

Pay-per-last-n-share: o valor só é pago se o bloco for encontrado. Essas são as formas mais comuns de repartição de pagamentos adotadas por uma pool de mineração.

Pontuação: a recompensa depende da média da taxa de hash com um período de aumento ou redução quando o usuário para de minerar.

Como identificar uma boa pool de mineração?

Alguns pontos devem ser considerados em sua escolha por uma pool de mineração ideal para investir. Verificar a segurança da pool, transparência das operações, taxas cobradas e compatibilidade com seu computador, placa de vídeo e internet, são alguns critérios importantes.

A mineração de criptomoedas é segura?

Embora a segurança seja uma característica própria da tecnologia blockchain, suas operações e todos os elementos da criptografia envolvidos na sua constituição, omesmo não pode ser dito sobre o seu mercado. Na mineração das criptomoedas não poderia ser diferente.

Golpes e fraudes associados a promessas de mineração remota ou em nuvem, aplicativos falsos, e esquemas que prometem lucros exorbitantes e rápidos, são recorrentes.

Reprodução: “Os aplicativos foram projetados para fazer com que as pessoas pensassem que estavam investindo em operações de mineração em nuvem” (Fonte: Olhar Digital).

Houve um tempo em que se podia minerar criptomoedas de forma remota, alugando o poder de Hash a uma empresa habilitada para isso. Hoje, a grande maioria das empresas que prometem mineração em nuvem são falsas.

Elas geralmente têm um objetivo muito diferente de qualquer benefício coletivo, que incluem divulgar uma criptomoeda recém lançada, vender espaço para a publicidade paga, coletar e vender os dados dos usuários cadastrados, além de golpes mais radicais que envolvem algum tipo de investimento e a extorsão dos investidores iniciantes nesse mercado.

Portanto, cuidado ao instalar um aplicativo sobre aquela criptomoeda recém lançada que ninguém nunca ouviu falar.

Perspectivas para o futuro da mineração das criptomoedas

Atualmente, os mecanismos de consenso alternativos à mineração de criptomoedas têm ganhado protagonismo no cenário cripto mundial. Alguns fatores dão o tom desse que é um movimento ascendente, adotado em detrimento da já considerada obsoleta mineração computacional.

Um deles é a preocupação que existe em torno da centralização de uma atividade cujo núcleo conceitual contradiz radicalmente esta premissa. Como vimos, as coisas têm sido dessa forma com a mineração de BTC, por exemplo, que acabou sendo monopolizada nas mãos dos grandes aglomerados tecnológicos.

Da mesma forma, os impactos ambientais em decorrência do altíssimo consumo energético de diferentes fontes também contribuem para a derrocada dos métodos tradicionais de consenso.

Segundo um Ranking elaborado pela CBECI (Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index), o Bitcoin aparece em 27º na lista com países que mais consomem energia elétrica no mundo. Para se ter uma ideia, o consumo de energia da rede Bitcoin é um pouco mais alto do que o da Ucrânia inteira.

Prova de participação

Em contrapartida ao método de prevenção ao problema do gasto duplo para as transações pelo sistema Proof-of-Work, ou prova de trabalho, o modo de verificação por prova de participação, o Proof of Stake (PoS), permite que qualquer pessoa que possua o token nativo de determinado protocolo, possa apostar e configurar seu próprio nó validador na rede.

Em suma, novos blocos de transações são adicionados ao blockchain através do direito concedido aos proprietários para fazê-lo, definido a partir de requisitos estabelecidos pelo próprio protocolo, que servirão de base para uma seleção com base no tamanho do investimento em staking que esses validadores têm na rede. Após eleitos, podem dispor de uma boa recompensa por isso.

A adoção da PoS como mecanismo de consenso é uma tendência forte do mercado futuro de criptomoedas, não apenas pela evidente economia energética e, consequentemente, seu aspecto mais sustentável, mas também por ser mais eficiente.

A Ethereum 2.0 - uma atualização no sistema da rede Ethereum que deve ocorrer ainda este ano - é uma prova disso. A ideia é migrar do método PoW para o PoS e solucionar alguns dos principais problemas que fizeram com que a rede ficasse para trás em relação aos avanços de projetos mais modernos, como escalabilidade e velocidade nas transações.

Afinal, vale a pena minerar criptomoedas?

Como vimos, a mineração doméstica de criptomoedas é uma atividade cuja lucratividade depende de considerações importantes. Embora estar atento a esses pontos possa te assegurar de ter sido criterioso, os retornos futuros - assim como em qualquer investimento em renda variável - não são certos.

Tal como é com os retornos, o futuro da própria mineração de criptomoedas é incerto. Vimos que a perspectiva é de que certamente a mineração se constituirá em um cenário de necessária adaptação nos próximos anos.

Energias renováveis, democratização de oportunidades para um investimento seguro e lucrativos, dentre outras possíveis soluções, podem intitular os próximos capítulos desse roteiro em construção.

Até lá, em razão de problemas intrínsecos a sua natureza,  a mineração de criptomoedas caminha para o provável desuso, mesmo que ainda possa render algumas boas oportunidades para lucrar com recompensas remanescentes aos seus tempos de alta.


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O Conteúdo deste Blog está disponível para fins meramente informativos e educacionais. Os artigos postados não constituem e não devem ser encarados, em nenhuma hipótese, como qualquer aconselhamento ou recomendação de investimento, tampouco como garantia de resultados ou rentabilidades em investimentos de qualquer natureza.

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Ailton Filho

Professor, content producer, executive MBA in marketing, technologies and digital business. Politics, philosophy and finances • Living the cryptoeconomic revolution.