Cresce o papel da mulher nos mercados cripto e de investimentos

CapExplain Mar 8, 2022

A cada dia 8 de março a sociedade tem a oportunidade de avaliar a presença das mulheres nas mais diversas áreas. É um momento de reflexão; de balancear o que foi e o que precisa ser feito; de entender os impactos e como deve ser…

Sendo uma mulher que trabalha na indústria da tecnologia há quase uma década e atuando no último ano mais ativamente no mercado cripto, venho acompanhando um verdadeiro levante (e estou muito feliz por isso) no que diz respeito à inserção de mulheres em cargos de liderança, desenvolvimento e operações deste setor… entretanto, sei que ainda temos um longo caminho a percorrer para uma igualdade efetiva.

Não existem mais espaços que as mulheres não ocupem no mercado de trabalho moderno. Porém, nem sempre foi assim. Os segmentos de investimentos, cripto e tecnologia até bem poucos anos atrás eram comandados majoritariamente por homens.

Um ecossistema bastante vasto que vai desde o atendimento ao desenvolvimento de apps para as empresas, e que agora também conta com a expertise feminina.


Nesse artigo você verá:

  1. Quebrando as barreiras de gênero no contexto social
  2. Um histórico sobre as mulheres no mercado tecnológico
  3. As mulheres e o mercado cripto
  4. As mulheres na indústria da tecnologia
  5. Cresce o número de mulheres no mercado financeiro
  6. Expectativas para o futuro

Para se ter uma ideia do que estou falando, em pesquisa divulgada pela Revista Veja, em 2018, 179.392 mulheres atuavam direta ou indiretamente no mercado financeiro no Brasil. Passados dois anos, em 2020, esse número saltou para 809.533.

Um dos fatores que podem ser apontados como decisivos para que as mulheres tenham maior participação no mercado financeiro, é a ampliação da informação nos meios de comunicação e através das muitas influenciadoras que mostram seus trabalhos de análise e de educação financeira.

Com o objetivo de fazer um panorama sobre os desafios, expectativas e interesses das mulheres nesses segmentos, convidamos quatro colaboradoras do Capitual para falarem sobre suas expectativas para o mercado financeiro e de cripto no Brasil.

Ser mulher no mercado de trabalho nunca foi fácil, sobretudo em ambientes tradicionais como é o caso das instituições financeiras. No Capitual, pude trabalhar em um ambiente com equidade de gênero e igualdade de oportunidades. Isso não é apenas um avanço pontual, mas o reflexo de uma sociedade possível”, comentou Juliana Hora, Diretora de Mídia do Banco Capitual, onde 47,5% do time interno é composto por mulheres.

Juliana agrega experiência em dois mercados tradicionalmente dominados por homens: publicidade e financeiro, desde 2016.

Mercados financeiro, de tecnologia e cripto sempre tiveram a tradição de serem comandados por homens, mas este cenário está mudando.

O segmento cripto, no início, era ligado ao mundo geek e predominantemente masculino, mas esta não é mais a realidade atual.

A participação das mulheres está cada vez maior, tanto em debates quanto em cadastros em exchanges e participação em eventos.

As mulheres estão definitivamente mostrando que investimentos não são só para homens. Aliás, isso refuta aquela máxima (preconceituosa) de que somos melhores em humanas e fracas em exatas.

Toda a negociação de criptoativos está fundamentada em tecnologia de desenvolvimento de dados, e esse também é um território em que as mulheres estão avançando.

Confirmando essa tendência da inserção feminina no mercado de TI, um estudo da consultoria KPMG em parceria com Harvey Nash, revelou que elas ocupam 16% dos empregos de alta tecnologia na América Latina; a média mundial é de 11%.

Com esse overview do cenário nacional, queremos oferecer informações para você pensar sobre a contribuição de mulheres nesses três pilares da economia mundial - investimentos, cripto e tecnologia. É importante pensar nos três juntos, pois são interdependentes nesse cenário.

A nossa presença nesses contextos mostra que estamos rompendo barreiras e nos consolidando como especialistas também em exatas (o tal do Girl Power aí, gente).

A inclusão de mais mulheres nestes mercados é fundamental e tem reflexo positivo não apenas para as políticas de igualdade de gênero, mas também para o desenvolvimento socioeconômico de maneira geral.

“O Capitual é um exemplo de como a participação feminina nos setores de tecnologia e finanças vem se destacando nos últimos anos. Trabalhando na Capitual, me vejo cercada de mulheres nos mais diversos cargos e me sinto totalmente incentivada a explorar esse mercado e a superar minhas performances”, comentou Laura Perazzoli, responsável de atendimento no Marketing do Capitual.

“É muito importante ter voz! Hoje, eu sinto que sou ouvida em situações decisivas dentro das estratégias e isso me estimula a buscar cada vez mais conhecimento para oferecer cada vez o meu melhor”, acrescentou Laura.

Quebrando as barreiras de gênero no contexto social

É quase uma ironia pensar que os homens dominaram o ramo da tecnologia por tanto tempo, já que muito da estrutura tecnológica como conhecemos hoje nasceu a partir de grandes iniciativas femininas.

O primeiro algoritmo da história, por exemplo, foi desenvolvido por Ada Lovelace e algumas das mais importantes linguagens de programação foram criadas pelas Irmãs Mary Kenneth Keller e Grace Hopper.

Essas mulheres fizeram história e devem ser sempre exaltadas.

As mulheres sempre tiveram papeis importantes em momentos de inovação tecnológica e devem ser lembradas por esses feitos

Mesmo com esse passado vitorioso, durante muito tempo, fatores culturais favoreceram a construção social de que certas funções eram destinadas aos homens e, outras, às mulheres.

Com a evolução das relações sociais e de trabalho, principalmente, esse paradigma começou a ser quebrado e profissões que antes eram segmentadas por gênero, hoje, estão mais diversificadas (mesmo que ainda não tanto quanto se gostaria).

Um histórico sobre as mulheres no mercado tecnológico

De forma geral, uma boa parte das mulheres Millennials, nascidas entre 1980 e 1995 (assim como eu), quando meninas, receberam menos estímulos para atividades relacionadas às ciências exatas. E isso é um fato!

Pensa bem, se você é uma delas, você ganhou mais bonecas ou jogos de lógica? Você ganhou mais brinquedos voltados para “cuidado com a família” ou Legos?

Isso pode soar progressista (e até acho que seja mesmo), mas de acordo com diversos estudos comportamentais, a forma com que as crianças são estimuladas na primeira infância impacta diretamente nas suas escolhas futuras.

Essa prática ajudou a enfatizar um preconceito de que as meninas não têm um julgamento racionalizado e que são mais inclinadas a atividades emocionais, como brincar de casinha.

Mas se elas não eram direcionadas para atividades lógicas, como esperar que crescessem voltadas para a economia, ciências ou tecnologia?

Contudo, esse cenário está se reconfigurando graças às mulheres da Geração Z que com seus 20 ou 25 anos foram mais incentivadas a serem o que quisessem.

E, esse contexto social, se reflete ativamente no mercado da tecnologia. Muitas escolas já oferecem aulas de robótica ou iniciação à programação e as meninas são bastante estimuladas a participar delas.

Companhias financeiras e a indústria tecnológica como um todo, têm mostrado maior engajamento para incentivar um quadro de funcionários mais equilibrado em gênero, com vagas exclusivas para as mulheres e cursos direcionados para elas.

Ao passo que as oportunidades começaram a aparecer, principalmente no mercado de Dev, as mulheres passaram a ver o segmento com bons olhos, já que é uma área com salários mais atrativos em comparação a outros cargos e que podem oferecer a independência financeira que elas tanto prezam.

Entre os atrativos para as mulheres ingressarem nesses mercado está a possibilidade de independência financeira

As mulheres e o mercado cripto

Dado esse contexto histórico e social, falemos de presente. A independência financeira é um dos atrativos do mercado de investimentos em cripto para as mulheres.

Uma pesquisa feita pela Women in Blockchain Boston revela que apesar de haver disparidade entre o número de homens e mulheres em setores relacionados ao investimento em cripto, os números estão melhorando para elas.

O interesse do público feminino em cripto estimula a busca por educação sobre o tema e, por consequência, mais atividade das mulheres no segmento.

“Eu sempre me interessei por finanças, mas confesso que nunca havia me imaginado trabalhando em um banco tão bem conceituado na área. Eu era candidata a uma vaga de atendente de suporte ao cliente, mas nem imaginei que fosse pra trabalhar em um banco tão inovador. Eu lembro que isso me impactou muito, e me fez querer investir ainda mais fundo em conhecimentos a respeito da área”, contou Erika Barboza, Gerente de Suporte no Capitual.

Outro dado interessante é que uma boa parcela das investidoras em criptoativos está ligada de alguma forma ao mercado de tecnologia.

Ou seja, a engrenagem está funcionando de forma que elas estejam cada vez mais conectadas a este universo.

As mulheres na indústria da tecnologia

O aumento da presença de mulheres no mercado de tecnologia é tangível, conforme revela pesquisa apresentada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2021, que mostra que 27,9 mil mulheres fazem parte desse setor.

A sororidade pode ser vista como um fator de influência para o aumento desses números.

Quanto mais incentivo à igualdade de gênero nas profissões e em salários, maior fomento à movimentação feminina no mercado. É importante ressaltar que as mulheres buscam estudar, ler e se atualizar para conseguir melhores oportunidades tanto quanto os homens.

Além disso, o perfil das profissionais dessas áreas é multidisciplinar, com habilidades técnicas, mas também capacidade de gestão de equipes, entre outras.

E de multidisciplinaridade nós entendemos: somos mães, filhas, companheiras e profissionais, tudo ao mesmo tempo (especialmente no “novo normal”) e dando nosso melhor. Sempre!

O Capitual apoia e faz parte do movimento de igualdade de gênero e, em nosso time, somos 47,5% em cargos diversos, inclusive os de liderança.

“É um desafio trabalhar na área de tecnologia porque é basicamente dominada por homens em uma sociedade machista, mas a Capitual é uma empresa que se destaca em vários aspectos e um dos mais significantes é o fato do ambiente ser extremamente leve, descontraído, e respeitoso nesse sentido”, comentou Nayara Dias, Líder de Desenvolvimento Mobile no Capitual.

“Bem, eu sou mãe e, esse fato por si só, já é um enorme desafio. Eu sou muito grata por ter a oportunidade de trabalhar conciliar minhas tarefas profissionais com a maternidade. Sem falar em todas as oportunidades que tive de crescimento, tanto pessoal quanto profissional”, comentou Erika.

Cresce o número de mulheres no mercado financeiro

A construção social colocou as mulheres por muitos anos em uma posição desfavorecida quando o assunto são as finanças. Eram vistas como gananciosas, enquanto os homens, como provedores.

Ainda hoje existe esse preconceito, mas estamos quebrando essa concepção com maestria, e nossa maior atuação no mercado financeiro corrobora isso muito bem.

Segundo uma publicação da Forbes, o público feminino na B3, Bolsa de Valores Oficial do Brasil, subiu de 179 mil para 924 mil CPFs inscritos no período entre 2018 e março de 2021, o que representa 26,6% do total de investidores no momento.

Assim como já comentamos, também no mercado de investimentos, esse incremento se deve à educação financeira de forma mais facilitada.

Mesmo com esse aumento significativo, o número de mulheres que está certificada para atuar de forma profissionalizada ainda é baixo, mas o cenário é visto com olhos positivos de que o mercado caminha de forma ascendente para uma igualdade de gênero nesse quesito.

Aliás, estudos apontam que carteiras de ações gerenciadas por mulheres trazem retornos melhores. O que colabora para que as mulheres tenham mais confiança na busca por cargos desse mercado.

As mulheres vem conquistando mais espaços nesses segmentos e, por consequência, há mais vagas disponíveis

Expectativas para o futuro

“O mundo é das mulheres” é uma máxima que a gente sempre escutou e é uma grande verdade. Por muito tempo estivemos em situações de inferioridade e não vamos mais aceitar esse lugar.

“O mercado financeiro e cripto ainda é predominantemente masculino, mas nós mulheres estamos conquistando cada vez mais espaço e assumindo o controle das nossas finanças. Eu acredito que ainda falta um certo incentivo, por vivermos em uma sociedade machista, para as mulheres alcançarem cargos de poder. Por mais que já tenhamos conquistado muita independência e liberdade, eu espero que mais mulheres se inspirem e se interessem cada vez mais por esse meio e que no futuro o mundo financeiro seja igualitário e nosso também!”, disse Maria Fernanda Mentone, Analista de Redes Sociais e Mídias do Capitual.

Nós não queremos ser melhores, queremos apenas o respeito com que os homens são tratados. Muitas de nós ainda vivem em relações de trabalho machistas e segregadoras, mas estamos unidas em um único propósito: a equidade.

Estamos dispostas a fazer esse movimento no mundo de investimentos em cripto e na tecnologia e ter ainda mais espaço nele.


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O Conteúdo deste Blog está disponível para fins meramente informativos e educacionais. Os artigos postados não constituem e não devem ser encarados, em nenhuma hipótese, como qualquer aconselhamento ou recomendação de investimento, tampouco como garantia de resultados ou rentabilidades em investimentos de qualquer natureza.

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Joanna Medeiros

Jornalista, produtora de conteúdo digital, MBA em Marketing e Comunicação. Acompanhando o mercado financeiro mudar através dos "olhos" da Capitual.