Crise energética na Europa afeta a mineração de criptomoedas?

CapExplain Sep 10, 2022

Com o conflito entre Ucrânia e Rússia sem data para terminar, os países europeus estão vivendo o aumento considerável nos custos com energia. Muitas dessas regiões concentram o movimento de mineração de criptoativos no mundo e a dúvida é: Como a crise de abastecimento de energia na Europa afeta a Mineração e a Hash Rate das criptomoedas?

Segundo especialistas, o custo de mineração de Bitcoin na Europa e na Eurásia (região que compreende países fronteiriços entre Europa e Ásia) já mostra os efeitos desse cenário, mas os preços se mantém positivos, como mostra o índice conhecido como ‘Gravidade da Energia do Bitcoin’ que aponta que os valores do Bitcoin seguem favoráveis para compra.

Nesse contexto, é importante explicar que a crise energética resultou no desligamento das máquinas de um certo número de mineradores, na saída da SBI da Sibéria que concentrava 40% do hashrate na Eurásia e na queda na dificuldade de mineração, o que acabou por favorecer quem estava preparado com máquinas mais modernas.

Nesse artigo, reunimos informações importantes para te tranquilizar sobre esse tema. Boa leitura!

Cenário do abastecimento de energia na Euroásia

Sabe-se que na região o gás natural está custando aproximadamente 10 vezes mais do que custava ano passado, de acordo com informações oferecidas pela União Europeia.

Por lá, os valores da energia elétrica estão diretamente ligados ao preço da gasolina que também está mais salgado para os consumidores.

Na Grã-Bretanha, por exemplo, há grande oscilação: o megawatt-hora de eletricidade chegou a uma média diária recorde de 500 libras, ou US$ 590, na última semana, cinco vezes mais do que o registrado no mesmo período de agosto de 2021.

Para tentar conter uma crescente nos preços pagos pela energia, os países da região estão em campanha junto com a população para estimular a economia de energia, especialmente durante o inverno conhecido por ser altamente rigoroso e por já registrar natural aumento no consumo energético.

Alemanha é foco de alto consumo na Europa

A Alemanha é tomada como referência para os índices energéticos na Europa, tanto para consumo quanto para valores.

O valor da eletricidade (Euros/MWh) por lá chegou na casa de €640 (equivalente a $640), o que faz com que a energia na Europa seja a mais cara do Hemisfério Norte, de acordo com estudos apresentados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os altos valores estão associados também à paralisação não planejada de uma usina nuclear francesa que potencializou o aumento dos custos com energia em toda a Europa.

Além disso, o fechamento de outras usinas nucleares na Alemanha nas últimas décadas também vem impactando esse cenário, já que é o país que mais usa fonte de energias fósseis.

Sendo assim, o preço médio do barril de petróleo na Europa já superou os US$ 1.000, o que afeta não somente a Europa, já que os EUA são grandes importadores de produtos europeus.

E como ficam as atividades de mineração de cripto?

Levando em conta todo esse panorama, não é difícil de concluir que o custo de mineração de Bitcoin em toda essa região mencionada reflete os efeitos de uma crise energética, entretanto, sem grandes comprometimentos para a atividade e, principalmente, para o investidor final.

Esse “baixo impacto”, pode ser explicado pelo fato de que o movimento de mineração busca cada vez operações mais sustentáveis ecologicamente. De acordo com o Bitcoin Mining Council (BMC), grupo composto por empresários ligados ao setor cripto, a rede Bitcoin teve redução de consumo energético em 25% nos três primeiros meses de 2022, se comparado ao mesmo período de 2021.

Ou seja, ainda que muitos mineradores usem supercomputadares para a mineração, esse consumo e, consequente, dependência de energia elétrica, está diminuindo, justamente para que, em cenários de crise energética, o mercado de criptoativos não seja impactado de forma negativa.

Além disso, todo o processo de mineração, por ser descentralizado, não corre o risco de ser afetado de forma consistente ao ponto de prejudicar a comercialização de criptoativos.

The Merge nesse contexto

Reflexo desse movimento é The Merge , quando uma cadeia Proof-of-Work (PoW) da Ethereum será migrada para uma cadeia Proof-of-Stake (PoS).

Essa mudança impacta diretamente a forma como a mineração é feita. Em PoW, os mineradores precisam concorrer uns com os outros numa “corrida” pela verificação de dados, cuja recompensa é o ETH. Esse processo requer o uso de equipamentos super potentes que gastam muita energia.

O PoS funciona de forma diferente. No lugar de máquinas de validação de transações, o que precisa de um computador de operação, no mínimo 32 ETH, o computador para realizar a validação das transações. Nesse modelo, o minerador também recebe unidades de ETH como pagamento.

Gravidade de Energia Bitcoin

Bitcoin Energy Gravity, ou Gravidade da Energia do Bitcoin, é o índice de relação entre os valores de mercado e custo operacional médio de produção de bitcoins de acordo com as plataformas de mineração usadas pelo mercado cripto.

Atualmente, o Energy Gravity tem valor de US$ 0,10, ou seja, uma plataforma de mineração pode ganhar, em média, 10 centavos por cada kWh consumido.

No verão o último, a Energy Gravity apresentou baixa de custo operacional frente as plataformas especializadas chegando perto do valor do próprio Bitcoin e essa métrica tem subido de forma lenta, porém consistente.

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Joanna Medeiros

Jornalista, produtora de conteúdo digital, MBA em Marketing e Comunicação. Acompanhando o mercado financeiro mudar através dos "olhos" da Capitual.