Europol quer reduzir crimes com criptomoedas

Português Sep 13, 2022

As criptomoedas, e especialmente o Bitcoin, estão sendo cada vez mais usadas pela população geral, e com eles parte da população de criminosos também. Contudo, ao contrário de crimes envolvendo moedas fiduciárias irrastreáveis a natureza aberta da tecnologia blockchain permite às autoridades uma nova maneira de combater o crime organizado.

É isso que acredita a maioria dos especialistas em criptomoedas e investigadores financeiros que na semana passada se reuniram para a 6ª Conferência Global sobre Finanças Criminais e Criptomoedas em Haia, organizada pela Europol com o apoio do Basel Institute on Governance.

De acordo com os palestrantes, que representaram reguladores europeus, policiais e representantes de exchanges de criptomoedas, assim como os detetives de blockchain como Chainalysis, o uso de criptomoedas está se expandindo “para praticamente todos os países e setores”, o que inevitavelmente acaba sendo também usado como novas formas de criminalidade.

Quando se trata de atividades ilícitas envolvendo o uso de criptomoedas a maioria das pessoas pensa em contrabando de drogas, mas existem muitas outras atividades como a manipulação de resultados em esportes, especialmente nos torneios que envolvem apostas esportivas. Outras atividades como a compra de venda de armas também estão na mira dos defensores da lei.

Além disso, muitos alegam que a lavagem de dinheiro por profissionais acaba sendo um dos usos das criptmoedas, já que profissionais aproveitam as opções oferecidas pelos ativos digitais para lavar receitas de atividades financeiras não declaradas.

De acordo com os palestrantes do evento, as características únicas das criptomoedas que são muito valiosas para os usuários de criptomoedas, como a natureza pseudônima da maioria das redes blockchain, assim como a capacidade de rastrear transações acabam permitindo a investigação do crime organizado e redes de lavagem de dinheiro e, com sorte, até eventualmente a recuperação de fundos roubados.

De acordo com a Europol, todas as partes envolvidas no combate ao crime, como policiais, reguladores e o setor privado, “estão trabalhando duro para ficar à frente daqueles que abusam de criptomoedas para cometer crimes e lavar dinheiro”.

A organização também conta com nova legislação europeia para “garantir que os criptoativos sejam tratados como quaisquer outros ativos para fins de regulamentação e supervisão contra lavagem de dinheiro”.

As novas regras, finalizadas em junho deste ano, exigirão que provedores de serviços, como exchanges de criptomoedas, coletem e armazenem informações que identifiquem pessoas envolvidas em transações de criptomoedas, bem como entreguem as informações às autoridades que estão conduzindo investigações.

Os novos regulamentos, no entanto, felizmente não imporão nenhum requisito de rastreamento em carteiras privadas e não hospedadas.

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Morel Hernandes

Writer passionate about politics, economics, blockchain and crypto-currencies.