Desde o princípio, a comunidade cripto nunca recebeu o devido respeito dos mais tradicionais bancos. Estes, sempre se esconderam por trás da legislação, principalmente do GAFI, para boicotar inovadoras fintechs que buscavam transformar e democratizar o sistema financeiro.

A prática, conhecida como “redução de risco”, é caracterizada pelo termino ou restrição de relações comerciais com clientes para evitar riscos ao invés de gerencia-los. A eliminação do risco tem como base diversos motivos: preocupações sobre rentabilidade, medo de uma crise financeira mundial ou risco reputacional.

O problema é que, muitas vezes, ao tentar eliminar os riscos do sistema excluindo o setor das criptomoedas do sistema financeiro, isso pode acabar gerando ainda mais riscos, pois se estas entidades e pessoas possuem o direito de usar dos canais de forma regulamentada, se torna muito mais fácil rastrear e implementar medidas anti-lavagem de dinheiro e de combate ao financiamento do terrorismo. É essencial garantir que o padrão global de regulamentação seja bem compreendido e implementado, e que cada país e suas instituições financeiras recebam apoio nos projetos que estimulem o objetivo de inclusão financeira.

Outro ponto importante, é considerar a corrida tecnológica. Os países que teimarem em manter-se completamente tradicionais, sacrificando a oportunidade de evoluir, não acompanharão aqueles países que investirem em tecnologias voltadas para o futuro financeiro. O custo, acaba sendo pago por toda a população, que perderá em eficiência, agilidade e inteligência. Isso torna ainda mais importante a inclusão democrática de fintechs.

Atualmente, as recomendações do GAFI exigem que as instituições financeiras encerrem o relacionamento com os clientes onde os riscos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo não possam ser mitigados. No entanto, não está de acordo com os padrões do GAFI o bloqueio de setores inteiros de clientes.

A situação pode estar prestes a mudar graças à 5ª Diretiva Anti-Lavagem de Dinheiro da União Europeia, popularmente conhecida como AMLD5. De acordo com a diretiva, que entrou em lei em 9 de julho de 2018, os ativos virtuais e os provedores de serviços de ativos virtuais agora são reconhecidos como "entidades obrigadas" - a mesma designação que bancos, processadores de pagamento, empresas de jogos e apostas. Isso significa que, desde que essas empresas possam mostrar evidências de conformidade com os regulamentos relevantes, elas devem ser tratadas da mesma maneira que outras empresas.

De acordo com a AMLD5, os bancos, e outras instituições financeiras, deverão gerenciar o risco, e não poderão simplesmente recusar serviços porque uma entidade pertence a um setor específico, cada caso deverá ser avaliado individualmente.

O novo regulamento, que veio com o AMLD5 é um avanço enorme todos, mas principalmente para as empresas de criptomoedas. Não há dúvidas que o sistema financeiro como um todo se beneficiará de um ambiente mais competitivo e apto para evoluir. Agora, é essencial que fundadores e desenvolvedores trabalhem com reguladores da UE e de outros países para estabelecer, no longo prazo, uma cooperação que funcionem para todos.