Capitual Blog: "Bitcoin é a primeira, mais utilizada e mais valiosa criptomoeda do mundo".

Bitcoin: tudo o que você precisa saber sobre a criptomoeda da nova economia global

CapExplain Feb 19, 2022

É difícil entender de cara o que o Bitcoin representa em sua totalidade. Digamos, para fins didáticos, que a natureza de sua existência compreende um conjunto de elementos no qual ela, a moeda em si, é apenas a ponta de um grande iceberg.

Por isso, elaboramos um guia completo que busca elucidar os conceitos-chave da criptomoeda pioneira de um marco histórico na economia mundial, sua tecnologia disruptiva e inovadora, bem como a sua exponencial valorização enquanto ativo de investimento.


Capitual Blog: "o bitcoin foi criado para transformar fundamentalmente a economia global".‌ ‌

Neste artigo você irá aprender:

  1. Por que o Bitcoin foi criado?
    1.1 Uma nova economia digital
  2. O que é Bitcoin e como funciona?
    2.1. As melhores ideias surgem nas crises
    2.2. Bitcoin x papel-moeda
  3. Bitcoin: um Sistema de Transação de Dinheiro Ponto-a-Ponto.
    3.1. A influência cyberpunk na criação do bitcoin
  4. A Revolução Blockchain.
    4.1. O que é a Blockchain e como funciona?
  5. Bitcoin como moeda deflacionária
    5.1. Porque o bitcoin é escasso?
    5.2. Por que o bitcoin vale tanto?
  6. Bitcoin x Banco Central.
  7. Onde e como guardar Bitcoins: uma alternativa aos bancos tradicionais.
    7.1. Como funcionam as wallets de bitcoin?
    7.2. Como armazenar seus bitcoins nos bancos de criptomoedas?
    7.3. É seguro deixar seus bitcoins nas corretoras?
  8. Afinal, o Bitcoin é seguro?
    8.1.Quais os riscos do mercado de criptomoedas?
  9. Como investir em Bitcoin com segurança?
    9.1. Como comprar bitcoin?
  10. Como funciona a mineração de bitcoin?
    10.1. O que o minerador de bitcoin ganha?
    10.2. O que é um Halving?
    10.3. Como minerar bitcoins?
  11. Como receber bitcoins como forma de pagamento?
  12. Vale a pena investir em bitcoin?

Por que o Bitcoin foi criado?

Normalmente, as pessoas veem o bitcoin como um mero meio de pagamento para produtos ou serviços, e embora isso seja parte do que ele é, não está reduzido a essa característica e nem sequer é usado com muita frequência para essa finalidade.

O bitcoin está muito mais próximo do que entendemos pelo conceito de ‘dinheiro’ do que de um simples instrumento de barganha.

Principais funcionalidades das criptomoedas.

Dentre outras funções, os entusiastas da moeda optam por enxergá-la como uma reserva de valor, semelhante ao ouro, por exemplo. Por ser um metal raro, que não é deteriorado com facilidade e que ocorre naturalmente quase puro, o ouro passou a ser considerado um item singular. As pessoas, então, atribuíram-lhe valor, concordaram e confiaram nisso. Consolidado há mais de 6 mil anos, o ouro é hoje uma das principais reservas de valor que conhecemos.

Obviamente, as equivalências entre o ouro e o bitcoin não são gerais. Contudo, podem ajudar a ilustrar e estabelecer parâmetros sobre a razão da criação dessa criptomoeda.

Uma nova economia digital

O Bitcoin inaugura uma tecnologia que representa uma combinação única de recursos: descentralização, imutabilidade da política monetária, mineração com motivação sustentável, deflação, divisibilidade e escassez. Atributos que eram simplesmente incompatíveis com qualquer outra moeda existente, até o seu surgimento.

Ao contrário disso, a história da humanidade é marcada pelo constante abuso do monopólio monetário por parte dos governantes e da elite financeira.

Essencialmente, o mundo financeiro é definido pela doutrina político-econômica cujos princípios se baseiam na centralização dos mecanismos de distribuição monetária: todo o sistema financeiro é controlado pelo banco central, que opera com privilégios especiais, a partir dos quais se sobrepõe aos demais setores da economia.

O padrão de moeda fiduciária pura implicou e segue implicando consequências devastadoras: ciclos econômicos fortes, enriquecimento do setor financeiro em detrimento de outros setores, encurtamento dos horizontes decisórios, forte endividamento do Estado, das empresas e das famílias.

No caso do Bitcoin, ninguém detém esse monopólio. Cada operador é soberano. Frente à irresponsabilidade fiscal de alguns governos e à hiperinflação, o dinheiro fiduciário perdeu quase completamente seu papel como reserva de valor no mundo contemporâneo.

O Bitcoin aparece como uma solução para este problema, trazendo de volta a função de valor à noção de dinheiro real, por um caminho novo, inexplorado e absolutamente único.

Não demorou muito para que um grande número de pessoas concordassem quanto à sua importância singular, dando a ele o devido valor e confiança.

Logo, para a pergunta inicial deste artigo a resposta não poderia ser outra: o bitcoin foi criado para transformar fundamentalmente a economia global.

O que é Bitcoin e como funciona?

Bitcoin é a primeira,  mais utilizada e mais valiosa criptomoeda do mundo. Por ser uma moeda descentralizada, sua tecnologia permite transações diretas de pessoa para pessoa, sem que existam bancos ou governos atuando como intermediários nessa relação.

Mas, calma. Para entender melhor tudo isso e, principalmente, que o Bitcoin vai muito além de uma breve descrição, precisamos fazer um rápido retorno ao seu ano de criação.

As melhores ideias surgem nas crises.

No ano de 2008, a crise financeira que deflagrou a bolha imobiliária nos Estados Unidos trouxe à luz as incorreções intrínsecas ao sistema bancário tradicional e ao modelo econômico no qual está inserido.

Basicamente, a crise aconteceu quando os bancos norte-americanos passaram a emprestar dinheiro para a compra de imóveis por pessoas cujas rendas sequer eram verificadas.

Com o objetivo de atrair novos clientes, os bancos acabaram tendo que enfrentar um resultado bem diferente: muitas dessas pessoas não conseguiram arcar com suas dívidas, levando muitos bancos ao colapso ou até mesmo à falência.

Ao mesmo tempo, os bancos estavam usando o dinheiro que seus clientes confiaram sob suas custódias para aplicar em diversas oportunidades de investimento.

Com a bolha imobiliária estourando, muitos desses investimentos acabaram sendo igualmente prejudicados e os bancos perderam todo o dinheiro que os clientes haviam confiado a eles.

O auge das tensões econômicas ocorreu após a falência do  banco de investimento note-americano Lehman Brothers, em setembro do mesmo ano. Após a ruína total e parcial de uma série de outras empresas financeiras naquela época, um pânico generalizado nos mercados financeiros em todo o mundo foi desencadeado.

Bitcoin x papel-moeda

No modelo fiduciário convencional há uma incompatibilidade fundamental entre dois conceitos-chave da economia: dinheiro e confiança. Somos obrigados por lei a confiar nos governos e bancos centrais para manter e assegurar a estabilidade do poder de compra do nosso dinheiro.

Este momento da história esclareceu e apontou, da pior maneira, para uma necessidade antiga e emergente: um novo sistema de dinheiro que não compartilhe das mesmas deficiências expostas pelas moedas regulares.

Em 18 de agosto de 2008, o site Bitcoin.org foi registrado oficialmente. Alguns meses depois, um documento de nove páginas intitulado 'Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System' foi publicado no endereço, assinado por Satoshi Nakamoto. A verdadeira identidade do autor, ou autores, permanece desconhecida até hoje.

Em 2009 o código foi lançado como código aberto.

Bitcoin: um Sistema de Transação de Dinheiro Ponto-a-Ponto.

Por definição, o Sistema de Transação de Dinheiro Ponto-a-Ponto, peer-to-peer (P2P), é uma tecnologia auto-sustentável que permite ao usuário realizar as suas transações diretamente de uma pessoa para outra, sem que nenhum intermediário ou instituição financeira seja necessário para isso.

Não importa em que parte do mundo você esteja, sua idade, religião ou nacionalidade. Seja dia ou seja noite, fim de semana ou feriado: a única coisa que importa é se você tem uma conexão com a internet e alguns bitcoins guardados.

A resolução que Satoshi Nakamoto propõe é possível graças a uma tecnologia que nasce junto com o bitcoin, a partir da qual são registradas periodicamente informações de transações em lotes, chamados blocos, a uma rede de computadores na qual os servidores se comunicam no mesmo nível hierárquico, sem qualquer administrador central: a revolucionária tecnologia Blockchain, sobre a qual falaremos mais adiante.

A influência cyberpunk na criação do bitcoin

Nakamoto não criou o projeto bitcoin apenas por uma trucada de gênio. No whitepaper, lançado em 31 de outubro de 2008, a ideia sobre “um sistema de transação de dinheiro ponto-a-ponto” tem origem no estudo de outras tecnologias desenvolvidas nos campos da criptografia, matemática e ciências da computação, com os quais Satoshi teve bastante familiaridade.

Esses eram principalmente projetos de um grupo dos chamados cypherpunks - ativistas hackers que propunham uma ação-direta alternativa à vigilância do Estado e o fortalecimento das liberdades individuais através da criptografia. Nakamoto menciona especificamente dois projetos: Hashcash, de 1992, e B-money, de 1998.

Nesse sentido, a blockchain é originalmente uma unificação amadurecida, por assim dizer, de algumas tecnologias do gênero em particular. Tecnicamente, elas compõem aquilo que possibilita o funcionamento do bitcoin. São elas:

  • Hash: Um hash criptográfico é o resultado de uma função matemática unidirecional. Isto é, uma operação criptográfica que gera identificadores únicos, de tamanho fixo e irrepetíveis a partir de um determinado texto ou número. Em outras palavras, um hash é como uma assinatura para um conjunto de dados, uma espécie de impressão digital determinística.
  • Proof of Work: O proof of work (PoW), ou Prova de Trabalho, é um algoritmo que estabelece, basicamente, que para cada ação realizada por um usuário, uma prova como garantia de que ele realizou alguma tarefa - isto é, gastou tempo ou energia para gerar uma resposta que satisfaça algum requisito validador de sua ação - é exigida. Assim, o sentido original deste protocolo é cumprido: prevenir os sistemas de ataques externos.
  • Cadeia hash: Cadeia hash é uma aplicação consecutiva de um hash, gerando um encadeamento para armazenar dados como uma matriz e criando um link de blocos individuais ao hash do bloco anterior.
  • Criptografia Assimétrica: Trata-se de um sistema de autenticação composto por um par de chaves criptográficas relacionadas: uma chave pública e uma chave privada. A criptografia assimétrica usa a chave pública do destinatário para criptografar um dado. Então, se o destinatário quiser descriptografar o dado recebido, ele terá que recorrer à sua chave privada. Se as chaves forem correspondentes, então o dado é descriptografado. O processo deve, então, proteger os dados contra qualquer tipo de uso não autorizado.

Os conhecimentos da criptologia foram de extrema importância para sistemas de segurança da informação em todo mundo, assim como na inteligência militar, assuntos de estado e até mesmo para espionagem. Todavia, foi através das operações comerciais por meios eletrônicos que esses conhecimentos deram origem a uma verdadeira revolução.

A Revolução Blockchain.

Tal como ocorre com o objetivo geral da criptografia, a tecnologia blockchain é um sistema eletrônico de registro de dados cuja base conceitual está fundamentada nos princípios da confidencialidade, integridade, autenticidade e irreprodutibilidade.

Essas características fazem da blockchain uma ferramenta poderosa na busca pela liberdade extra-estatal. Não é difícil constatar a clara influência do criptoanarquismo na composição  desse sistema.

Trata-se de um banco de dados distribuído, em que não há unidade centralizadora e cujos seus usuários estão no controle de todas as suas informações e transações, quase como em uma anarquia tecnológica.

O que é a Blockchain e como funciona?

Tecnicamente, a blockchain é um livro-razão protegido por uma forte rede de hash distribuída e imutável que possibilita o registro de transações e o rastreamento de qualquer ativo digital de modo inalterável, transparente e descentralizado.

Esse processo ocorre na rede P2P que, como dissemos, permite aos usuários realizar as suas transações diretamente de um ponto para o outro. Uma ampla rede de usuários ou computadores interconectados (nodes/nós) - que compartilham informações de modo seguro, rápido e autônomo - é, então, criada.

A ausência do intermédio de um terceiro nessa operação se dá em razão do algoritmo da criptografia assimétrica, ou seja, a assinatura com um par de chaves. Na blockchain, a função das chaves é provar que uma transação realizada foi de fato assinada pelo proprietário dos fundos e que, portanto, não foi falsificada. Isso garante a autenticidade dos dados e evita os chamados gastos duplos.

Dessa forma, o endereço pode ser identificado pela chave pública, e apenas o usuário com a chave privada correspondente a ele pode assinar a transação. Todos os outros usuários podem verificar facilmente se a assinatura está correta, para que os fundos sejam enviados pelo legítimo proprietário da conta.

A partir deste ponto, a aplicação da cadeia hash acontece. Cada bloco na cadeia contém uma transação. As transações são adicionadas ao bloco, sua informação é guardada e o seu valor e/ou outros recursos no banco de dados são registrados.

Após as transações serem encadeadas, um hash é adicionado no final do bloco. O hash é, então, ligado ao bloco anterior da cadeia, formando as ligações entre as cadeias até chegar ao primeiro bloco criado.

Ainda assim, um algoritmo de consenso entre os participantes da rede é necessário para validar as transações. Para isso, o mecanismo de consenso utilizado pela rede Bitcoin é o Proof of Work (PoW), que garante a segurança do blockchain. Para realizar esse procedimento, os validadores desprendem grandes quantidades de poder computacional, além de um alto consumo  de energia elétrica, a partir de um processo chamado de mineração, sobre o qual falaremos mais adiante.

Quer aprender mais sobre Blockchain? Acesse o nosso artigo Blockchain: entenda a tecnologia de segurança dos dados financeiros.

Bitcoin como moeda deflacionária

Exatamente por estar amparado por essa tecnologia disruptiva e descentralizada, o bitcoin é uma moeda imune ao aumento geral, sistemático e contínuo dos preços que, em conjunto com a diminuição do poder aquisitivo das pessoas, provoca a desvalorização do dinheiro.

Seja pela emissão excessiva de dinheiro por parte do governo, seja pelo exercício de uma política econômica irresponsável, a inflação é um mal típico do capitalismo de Estado.

Com o bitcoin, as coisas acontecem de outra maneira.

Porque o bitcoin é escasso?

O número total de bitcoins nunca excederá 21 milhões. Esta não é apenas uma especulação dos desenvolvedores, mas um limite configurado diretamente no protocolo bitcoin. Além disso, o número da moeda em circulação provavelmente diminuirá com o tempo. Nesse sentido, a escassez do bitcoin é um atributo intrínseco à sua própria natureza.

Segundo os dados fornecidos pelo indicador da ferramenta analítica on-chain da Glassnode, o HODL Wave, cerca de 17% de todos os bitcoins não são movimentados há mais de 7 anos, o equivalente a 3,3 milhões de bitcoins.

A tese mais bem aceita é que estes são bitcoins cujos proprietários teriam perdido suas chaves privadas de acesso. A tendência é que esse número aumente com o tempo pelo mesmo motivo.

Nesse sentido, o conceito de uma moeda do qual o número de unidades em circulação diminui ao longo do tempo é a chave da característica deflacionária do bitcoin.

Desse modo, o valor médio das transações diminuirá e, cada vez mais, o mercado passará a movimentar frações em vez de bitcoins inteiros. A essas frações damos o nome de satoshis.

A menor fração de bitcoin é nomeada numa referência ao seu criador, Satoshi Nakamoto.

Um bitcoin é divisível em 100 milhões de satoshis, frequentemente abreviado como "sat".

1 BTC = 100.000.000 sat

1 sat = 0,00000001 BTC

Por que o bitcoin vale tanto?

Na prática, assim como a tendência é que cada vez mais sejam negociados satoshis ao invés de bitcoins inteiros, à medida que a quantidade de moedas diminui, o valor dos bitcoins tende a aumentar.

Ao contrário das moedas fiduciárias, o preço do bitcoin é de fato baseado no mercado. A oferta é pré-determinada e imutável, de modo que o preço seja influenciado, acima de tudo, pela demanda.

As pessoas ao redor do mundo ainda estão descobrindo o real valor das propriedades do bitcoin, como transações sem censura e acessibilidade global. Muito em razão disso, a demanda de curto prazo passa por ciclos de medo, incerteza, dúvida.

Por outro lado, a tendência de preço de longo prazo é muito positiva, o que está de acordo com o fato de que devido ao fornecimento fixo e nenhum ponto único de falha, o bitcoin é cada vez mais visto como uma poderosa reserva de valor de longo prazo.

Hoje, o valor total das unidades de bitcoin em circulação multiplicado pelo preço unitário atual gira em torno de 850 bilhões de dólares. Em outubro de 2020, a capitalização de mercado do BTC era de cerca de 200 bilhões de dólares.

Quanto maior a capitalização de mercado, menor a flutuação de preço. Em comparação com os períodos iniciais do bitcoin, a sua volatilidade foi bastante reduzida.

Em 2011, por exemplo, o preço do bitcoin subiu de 0,3 USD para 30 USD em alguns meses, caindo em seguida para 2 USD. Em razão da alta capitalização de mercado, essas grandes oscilações não são mais vistas no gráfico do bitcoin, uma vez que, agora, exige um volume muito maior de dinheiro para o mesmo movimento de sobe e desce do preço.

No entanto, quando visto lado a lado com ativos dos mercados financeiros tradicionais, o bitcoin ainda é considerado muito volátil.

Para os investidores mais experientes, a estratégia mais segura é aquela que considera a valorização a longo prazo, que consiste em deter o bitcoin sem se preocupar com flutuações de preços de curto prazo, conhecida como "hodl".

De qualquer forma, assim como em qualquer investimento, você não deve colocar em bitcoin mais do que esteja disposto a perder.

Bitcoin x Banco Central.

De acordo com as suas atribuições autodeclaradas, os bancos centrais dos governos em todo o planeta devem, teoricamente, assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda nacional.

Regular o volume de dinheiro e de crédito da economia para estabilizar os preços é, em geral, uma estratégia definida a partir do cálculo de um índice de preços usado para observar tendências de inflação.

No Brasil, a meta para o crescimento anual do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) - a chamada meta de inflação - é de cerca de 3%. Com o aumento das pressões inflacionárias, em 2022 a projeção é entre 5% e 6%.

Essa alta acontece quando os preços sobem mais rapidamente do que a meta de inflação, levando o banco central a tentar reduzir a oferta de moeda na economia por meio de uma Política Monetária Restritiva - como o aumento das taxas de juros, por exemplo.

Na situação em que a pressão for deflacionária, o Banco Central aumentará a oferta de moeda em circulação, reduzindo as taxas de juros e aumentando o poder aquisitivo da população para incentivar o consumo.

Desse modo, o Banco Central tem em suas mãos o controle total das moedas nacionais. Com o auxílio de seus poderosos modelos estatístico-matemáticos, estamos seguros de que a nação está sendo conduzida rumo a um futuro econômico estável e próspero, não é mesmo?

Obviamente a resposta é não.

Na prática, o que ocorre é uma expansão desigual da quantidade de dinheiro, inflando tanto os preços ao consumidor, quanto as bolhas financeiras.

O fato é que a moeda fiduciária não tem um efeito neutro na economia e, por isso, o dinheiro recém-criado não se espalha uniformemente.

Satoshi Nakamoto projetou o bitcoin para operar com princípios completamente diferentes. Como foi dito, não há uma autoridade central capaz de influenciar a sua oferta monetária.

As criptomoedas, lideradas pelo bitcoin, tornaram o ritmo de liberação de novas unidades em circulação completamente transparente e previsível a longo prazo.

Isso é possível porque o protocolo bitcoin determina a quantidade de novos bitcoins que entrarão em circulação com cada bloco minerado, liberados de forma justa através do esforço expelido para encontrar o hash válido.

Para que os mineradores e todos os outros usuários de bitcoin continuem fazendo parte da rede, a única opção é seguir este protocolo.

A quantidade final de bitcoins e a sua taxa de emissão são, portanto, conhecidas antecipadamente e não há nada que se possa fazer para que seja de outro modo que não este.

Onde e como guardar Bitcoins: uma alternativa aos bancos tradicionais.

Neste artigo nós falamos que cerca de 17% de todos os bitcoins não são movimentados e que a principal razão disso é a perda, por parte dos proprietários das carteiras de bitcoin, das chaves de acesso. Apesar disso, os usuários mais puristas ainda optam pelas wallets para guardar e movimentar seus bitcoins.

Vamos entender melhor como elas e alguns outros métodos de armazenamento dos bitcoins funcionam.

Como funcionam as wallets de bitcoin?

Uma carteira bitcoin, ou wallet, é o lugar onde o usuário irá gerenciar as suas chaves privadas usadas ​​para o acesso aos bitcoins. Ela pode ser dividida em duas categorias básicas: online e offline, seja em um dispositivo móvel, na área de trabalho do seu desktop ou simplesmente imprimindo ou anotando as chaves privadas e os endereços em um papel.

As wallets online, também conhecidas como carteiras quentes (hot wallets), são carteiras processadas por dispositivos conectados à Internet e, por isso, podem ser operadas em smartphones, tablets ou computadores.

Por outro lado, o fato de serem baseadas na nuvem acaba fazendo com que sejam mais vulneráveis, suscetíveis a invasões ou ataques hackers.

As wallets offline, também conhecidas como carteiras frias (cold wallets), guardam o endereço e a chave privada do usuário em algo que não está conectado à internet. Isso pode ser feito simplesmente reproduzindo as chaves em um papel, por exemplo.

Também é possível guardar as chaves em um pen-drive ou em uma carteira de hardware, um dispositivo de unidade USB próprio para o armazenamento de chaves privadas.

Esse tipo de carteira é considerada mais segura em relação a invasões e ataques externos.

Todavia, dá a oportunidade para que o seu inimigo, nesse caso, seja você mesmo, já que o usuário deve sempre manter as chaves privadas sob seu acesso, controle e responsabilidade exclusiva.

Caso perca as chaves de algum motivo, provavelmente nunca mais terá acesso aos seus bitcoins.

É como dizem: Not Your Keys, Not Your Coins!

Hoje, já existem algumas outras formas de armazenar bitcoins com segurança, com riscos mais reduzidos e a integração de novas funcionalidades.

Como armazenar seus bitcoins nos bancos de criptomoedas?

Desde o início do bitcoin há mais de uma década, a criptoeconomia evoluiu ao ponto de conduzir o surgimento de bancos projetados para prover a infraestrutura e segurança de serviços bancários às criptomoedas.

Aqui no Brasil, essa evolução nos trouxe o Capitual, um banco digital multimoedas que permite operações com várias criptomoedas e diversos outros ativos em uma conta bancária inovadora.

Com a conta digital do Capitual, suas criptomoedas podem ser armazenadas nas CapWallets: carteiras incorporadas à sua conta, que te dão acesso a um portfólio diversificado de ativos. Você consegue criar quantas CapWallets desejar e personalizá-las como preferir.

O sistema integrado do Capitual comporta diversas funcionalidades como conversão instantânea de criptomoedas, PIX ilimitado, pagamentos, depósitos e diversos serviços a taxa zero.

Com o Capitual, também é possível sacar as suas criptomoedas direto dos caixas eletrônicos da rede Banco24Horas, presentes em todos os estados do país.

Caso você opte por essa opção para guardar os seus bitcoins, clique aqui e faça a sua CapConta. É totalmente gratuito.

É seguro deixar seus bitcoins nas corretoras?

Umma outra opção é simplesmente manter os seus bitcoins na exchange que usou para comprá-los. Porém, algumas das fragilidades que vimos nas wallets online podem ser compartilhadas nesta opção de armazenamento.

Em agosto de 2021, um ataque hacker à corretora de criptomoedas Poly Network rendeu um prejuízo de 611 milhões de dólares para a plataforma e seus usuários, caracterizando o maior roubo de criptomoedas da história.

O caso não é isolado e várias outras invasões a corretoras de criptomoedas já foram registradas. Por isso, examine bem as exchanges antes de decidir manter e negociar seus bitcoins em uma delas.

Caso você opte por manter suas moedas em sua conta da corretora, esteja ciente de que tecnicamente elas ainda estão sob custódia da exchange e, por conseguinte, em uma eventual invasão à plataforma, provavelmente você não terá essas moedas de volta.

Afinal, o Bitcoin é seguro?

O Bitcoin permite que qualquer pessoa no mundo envie e receba dinheiro com a simplicidade de um e-mail. Porém, essa praticidade não implica que as transações sejam feitas de maneira imprudente. Como dissemos, ao contrário disso, a tecnologia do bitcoin permite um sistema altamente seguro, praticamente inviolável: uma qualidade própria da criptografia.

Para realizar um pagamento através de uma wallet típica, por exemplo, o usuário insere o valor do envio e o endereço da carteira de destino. A transação é então compilada na carteira, assinada com a chave privada e enviada para outros nós bitcoin. Por fim, a transação é validada no formato de um hash criptográfico.

Como vimos, a partir do elemento fundamental da transparência, todos os usuários na rede bitcoin têm acesso a todas as transações validadas e distribuídas na rede. Sendo que para cada validação é cobrada uma taxa, cujo valor é pré-determinado pelo usuário.

A média das taxas oscila consideravelmente: para valores muito baixos, na ordem de centavos, as confirmações rápidas implicam taxas menores. Porém, caso a demanda por confirmação rápida das transações aumente, as taxas médias tendem a acompanhar esse aumento.

A tendência é que essas taxas aumentem com o tempo, seguindo o fluxo de diminuição gradual do subsídio por bloco minerado. Por isso, é importante aprender a trabalhar com as taxas e estimar o seu tempo de confirmação exigido.

Isso serve para garantir que a sustentabilidade das transações de bitcoin seja mantida e que a estabilidade de seus sistemas de segurança sejam preservados.

Portanto, sim. O bitcoin é seguro.

No entanto, essa qualidade não se estende necessariamente ao seu mercado.

Quais os riscos do mercado de criptomoedas?

No tópico anterior, frisamos que embora a tecnologia blockchain ofereça todas as ferramentas para que suas movimentações sejam feitas do jeito mais seguro possível, o mercado de criptomoedas em geral está suscetível a eventuais atos ardilosos, enganosos e de má-fé.

Por isso, os meios pelos quais você faz as suas negociações, armazenamentos e movimentações é determinante para estar inserido com segurança no mercado de criptomoedas.

Por isso, guardar as suas criptomoedas com segurança é um ponto muito importante. Da mesma forma, esteja atento à reputação e recomendações das empresas e serviços online utilizados nas suas negociações. Investir com segurança é um pré-requisito básico.

Como investir em Bitcoin com segurança?

Bitcoin pode ser obtido de três maneiras. Ele pode ser extraído, comprado ou obtido em troca de algum produto ou serviço que você ofereça. A mineração de bitcoin - sobre a qual falaremos no tópico seguinte a este - não é tão simples como possa parecer. Aceitar bitcoins como forma de pagamento é bem possível e detalharemos esta opção mais adiante.  Por hora, vamos entender o procedimento de compra do bitcoin.

Como comprar bitcoin?

Quando se trata de comprar bitcoin, existem duas opções fundamentalmente diferentes:

1) Comprar bitcoin de forma oculta:

Sem qualquer verificação de dados pessoais como nome, sobrenome, endereço, RG, CPF ou demais documentos de identificação.

As formas mais comuns de comprar bitcoin anonimamente são diretamente na própria rede P2P e através das chamadas exchanges descentralizadas (DEX), como a dYdX, Uniswap, Kine Protocol, PancakeSwap e SushiSwap, por exemplo.

Embora não sejam utilizadas com tanta frequência quando postas em paralelo às corretoras centralizadas, essa modalidade de compra se aproxima do sentido anárquico original do bitcoin.

Por outro lado, tal como são os riscos de guardar seus bitcoins em uma wallet offline, se você perder sua frase-semente (uma espécie de chave privada formada por um conjunto de 12 a 24 palavras), seus fundos serão perdidos permanentemente.

2) Comprar bitcoin de forma transparente:

A partir de um processo de verificação chamado KYC/AML, que são diretrizes usadas pelas exchanges para solicitar a identificação do cliente para os prestadores de serviço.

Essa é de longe a forma mais utilizada para compra de criptomoedas. Com o tempo, as maiores e mais consolidadas exchanges centralizadas do mundo, como a Binance, Huobi, Gate.io, FTX, dentre outras, desenvolveram de um sistema de segurança robusto a partir do recurso da autenticação de dois fatores (2FA).

A Binance - maior corretora de criptomoedas do mundo -, por exemplo, é classificada como uma exchange de grau A de segurança, de acordo com o relatório CryptoCompare Exchange Benchmark, de 2020.  

Além da segurança, as exchanges facilitam muito o procedimento de compra em relação aos outros métodos,  com funcionalidades que vão desde depósitos via Pix, maior quantidade de ativos disponíveis, suporte, plataformas robustas, dentre várias outras vantagens.

Entretanto, na hora de escolher a corretora ideal para comprar os seus bitcoins, fique atento às taxas. Normalmente, não são cobradas taxas para abertura de conta nessas plataformas, mas as corretoras cobram taxas a cada operação de negociação e algumas delas podem ser bem altas.

Como funciona a mineração de bitcoin?

O processo de mineração do bitcoin consiste em incluir transações em um bloco e anexar esse bloco ao blockchain, validando uma transação. O registro da transação é feito pela pessoa ou máquina que fornece a prova de trabalho (PoW). Essa prova baseia-se no fornecimento de poder computacional suficiente e é dada na forma de um hash.

A cada dez minutos, em média, os mineradores devem fornecer a prova de trabalho para que se qualifiquem e ganhem o direito de validar novas transações. Logo, a prova de trabalho garante que as transações de blockchain sejam escritas de modo a diluir qualquer risco de fraude, além de viabilizar a emissão de novos bitcoins em circulação de acordo com o princípio da previsibilidade.

Ao mesmo tempo, as possibilidades de fraudes são dissuadidas, uma vez que somente aquele que forneceu a prova pode registrar as transações.

O que o minerador de bitcoin ganha?

A mineração de bitcoin rende uma dupla recompensa: o minerador recebe os bitcoins recém-gerados, bem como as taxas das transações que ele anexou ao bloco.

Atualmente, mais de 90% da recompensa de mineração advém de bitcoins recém-gerados. A cada 10 minutos os mineradores recebem 6.125 bitcoins. Inicialmente, entre 2009 e 2012, a recompensa era de 50 bitcoins. Isso se deve a um fenômeno chamado Halving.

O que é um Halving?

A cada 4 anos acontece o Halving, em que este subsídio em bloco é reduzido pela metade. Entre 2012 e 2016, 25 bitcoins eram pagos aos mineradores. Entre 2016 e 2020, baixou para 12,5 bitcoins. Em maio de 2020, a rede bitcoin passou por outro halving e o subsídio dado é o que os mineradores recebem atualmente.

Até o momento, a principal motivação dos mineradores são bitcoins recém-criados, mas com o tempo as taxas de transação deverão ganhar protagonismo. Há uma estimativa de que, por volta de 2030, a autonomia do sistema estará muito mais dependente das taxas de transação do que dos bitcoins.

O próximo Halving do bitcoin está programado para ocorrer em 2024.

Como minerar bitcoins?

Teoricamente, qualquer um pode minerar bitcoins. Contudo, os tempos nos quais era possível fazer isso com o auxílio de um laptop comum já se foram. Hoje, a performance exigida pelo processo de mineração não pode ser desempenhada por nada menos que um supercomputador de enorme potência e velocidade.  

Os equipamentos para minerar bitcoins ficam mais caros a cada dia. Geralmente o Bitcoin é extraído usando equipamentos ASIC especializados (fabricados para um único propósito de hashing SHA256). Além de caros, os mineradores ASIC não são nada silenciosos e representam um investimento bastante arriscado do ponto de vista financeiro.

Uma alternativa a isso é a mineração de altcoins, que podem ser mineradas em plataformas de GPU e depois trocadas por bitcoin. Mas mesmo a mineração de altcoins não é uma questão simples e o retorno do investimento é incerto.

De qualquer forma, evite a mineração em nuvem e todos os serviços que vendem ou alugam hashrate. É quase sempre um scam e, se não for, é mais provável que seja um caso de perda de tempo garantida.

Como receber bitcoins como forma de pagamento?

Um outro método de obter bitcoin e outras criptomoedas é aceitá-las como forma de pagamento em seu negócio. Para isso, já contamos com serviços inovadores aqui no Brasil que permitem essa negociação de maneira simplificada e, o melhor, sem taxas.

É o caso da CapPay, um serviço de gateway de pagamentos multimoedas do Capitual. Essa solução oferece a possibilidade de aceitar criptomoedas como forma de pagamento para consumidores e empresas de todos os portes e segmentos, sejam elas físicas ou virtuais.

O serviço não cobra taxas de transações e pode ser gerenciado direto do seu smartphone. É simples: assim que a transação é confirmada, o lojista já pode retirar seus ganhos imediatamente ou, se preferir, deixar rendendo em uma das CapWallets da sua conta digital multimoedas do Capitual.

Ao trocar seu produto ou serviço por bitcoin, você evitará habilmente o seu complicado procedimento de compra. Você estará vendendo o que oferece por uma das mercadorias mais raras do mundo, com potencial de crescimento do valor a longo prazo, e não apenas em termos financeiros.

Você pode conhecer melhor o CapPay clicando aqui.

Obviamente - tal como em qualquer operação com ativos de renda variável -, caso opte por aceitar criptomoedas em seu negócio, você precisa estar disposto a considerar se pode arcar com o risco de flutuações da taxa de câmbio e, às vezes, de uma baixa de mercado muito longa.

Vale a pena investir em bitcoin?

Bom, depois de ler todo o nosso guia para entender exatamente o que é, como funciona e todos os outros principais tópicos relacionados ao bitcoin, quem irá responder se vale a pena ou não investir em bitcoin é você mesmo.

Afinal, ninguém é melhor que você para saber o que fazer com o seu dinheiro, não é mesmo?

Quanto a nós, cabe apenas expormos os fatos. E o fato é que tecnologia do bitcoin nos revela a perspectiva real de um sistema econômico autônomo que rompe totalmente com as estruturas financeiras tradicionalmente estabelecidas, sendo uma moeda cuja emissão, circulação e, sobretudo, valor, não respondem a qualquer intervenção autoritária.

Nos últimos anos o preço do bitcoin subiu para alturas quase vertiginosas. Ninguém pode prever com certeza os níveis futuros de preços, mas após mais de uma década de existência, o bitcoin se tornou e segue sendo um dos ativos mais valiosos do mundo.

Você pode acompanhar a sua taxa de câmbio em tempo real, desenvolvimento recente e demais informações atualizadas no site da Coinmarketcap.

Informações técnicas
Moeda: Bitcoin
Código: BTC
Tempo de bloqueio: 10 minutos
Data de lançamento: 3 de janeiro de 2009
Valor total em circulação: 21 milhões
Valor atual em circulação: 18,5 milhões
Comunidade: https://www.reddit.com/r/Bitcoin/
Site oficial: https://bitcoin.org/en/
Github: https://github.com/bitcoin/


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Ailton Filho

Professor, content producer, executive MBA in marketing, technologies and digital business. Politics, philosophy and finances • Living the cryptoeconomic revolution.