Depois de anos internalizando conceitos econômicos inválidos devido ao grande número de falácias incessantemente emitidas pela mídia e por comentaristas de plantão, é fácil esquecer quais são as leis mais verdadeiras e fundamentais da economia. O objetivo deste artigo é desfazer essa cortina de fumaça para o público e ajudá-lo a solidificar sua base de conhecimento econômico por meio dos dez mandamentos fundamentais da economia que sempre devem ser repetidos e nunca devem ser esquecidos.

1. Antes de consumir, produzir

Produção necessariamente vem antes do consumo. Para consumir algo, ess algo deve primeiro existir, sendo impossível consumir algo que ainda não foi criado.

Esse conceito lógico é óbvia, mas recorrentemente ignorada. A idéia de que o governo precisa estimular o consumo da população para aumentar a produção e toda a economia prevalece na mídia e na academia. É uma perfeita inversão de causa e consequência.

Bens de consumo não surgem do nada, são resultado final de uma longa cadeia, chamada “estrutura de produção”, que envolve vários processos de produção interconectados. Até a produção de um item aparentemente simples, como um lápis ou um sanduíche, requer uma complexa rede de processos de produção que leva tempo para concluir e pode abranger vários países e continentes.

Estimular o consumo, por definição, não gera crescimento econômico.

2. O consumo é o objetivo da produção

As pessoas produzem o que os outros querem consumir. Não faz sentido econômico produzir algo que ninguém consuma. Portanto, o consumo é o objetivo final de toda atividade econômica. E a produção é o seu meio.

Muitas vezes, os defensores de políticas governamentais de “criação de empregos” violam essa ideia. Programas voltados para a criação artificial de empregos tornam a produção o objetivo final, não o consumo. Isso significa estimular a produção de algo que não está sendo voluntariamente exigido pelos consumidores.

São os consumidores que valorizam os bens de consumo finais. Ao atribuir valor aos bens de consumo, eles indiretamente atribuem valor aos fatores de produção utilizados no processo de produção desses bens de consumo. Portanto, os consumidores determinam o valor do trabalho, matérias-primas, máquinas e equipamentos utilizados em todos os processos de produção.

Ignorar as demandas reais dos consumidores e criar empregos artificiais com processos de produção que não estejam de acordo com os desejos dos consumidores é uma medida destrutiva que tenta revogar toda essa realidade. Como resultado, isso tende a imobilizar mão de obra e recursos escassos em atividades que não são exigidas pela população, causando destruição de capital e riqueza.

3. Não há almoço grátis, tudo custa

Conseguir algo grátis significa que há alguém pagando por tudo. Por trás de toda universidade pública, assistência médica “gratuita”, bolsas de estudo e qualquer forma de assistência social está o dinheiro dos impostos de pessoas que trabalham e produzem.

Embora os contribuintes saibam que é o governo que confisca parte de sua renda, eles não sabem a quem ou aonde esse dinheiro vai. E embora os destinatários desse dinheiro e os serviços financiados por esse dinheiro saibam que é o governo por trás dele, eles não sabem de quem o governo tirou o dinheiro.

4. O valor das coisas é subjetivo

A maneira pela qual cada indivíduo atribui valor a um bem é subjetiva e varia de acordo com a situação e os gostos do indivíduo. O mesmo bem físico tem valores diferentes para pessoas diferentes.

A utilidade de cada bem é subjetiva, individual, situacional e marginal. Portanto, não pode haver "consumo coletivo". Até a temperatura de uma sala traz sensações distintas para todas as pessoas presentes. O mesmo jogo de futebol tem diferentes valores subjetivos para o espectador, como é facilmente aparente no momento em que uma das equipes marca um gol.

5. É a produtividade que determina os salários

A produção de um indivíduo durante um determinado período de tempo determina quanto ele pode ganhar durante esse período. Quanto mais esse indivíduo produz em bens ou serviços exigidos voluntariamente pelos consumidores em um determinado período de tempo, maior sua remuneração.

Em um mercado de trabalho genuinamente livre, as empresas contratarão mão de obra adicional sempre que a produtividade marginal de cada um desses trabalhadores for superior ao salário. Em outras palavras, sempre que um trabalhador adicional puder gerar mais receita do que despesas, ele será contratado. A concorrência entre empresas aumentará os salários a ponto de ser igual à produtividade.

Os sindicatos podem alterar a distribuição dos salários entre diferentes grupos de trabalhadores, mas não pode aumentar o valor total dos salários de todos esses trabalhadores. Isso depende inteiramente da produtividade.

E o que aumenta a produtividade do trabalho? Poupança, investimentos e acumulação de capital. Sem poupança, não há investimento. Sem investimento, não há acumulação de capital. Sem acumulação de capital, não há maior produtividade. E sem mais produtividade, não há aumento de renda.

6. Gastos são renda para alguns e custo para outros

Alguns economistas dizem que todos os gastos geram renda. Embora isso seja verdade, eles parecem esquecer que todos os gastos também são um custo. O gasto é um custo para o comprador e uma renda para o vendedor. A renda é igual ao custo.

O mecanismo multiplicador de renda diz que quanto mais você gasta, mais fica rico. Quanto mais todos gastam, mais ricos todos ficam. Essa lógica obviamente ignora os custos. O multiplicador fiscal, por definição, implica que os custos aumentam junto com a renda. Se a renda se multiplica, os custos também se multiplicam. O modelo desse mecanismo multiplicador ignora esse efeito de custo e gera graves erros de política econômica.

Gastar, portanto, são custos. O multiplicador de renda implica o multiplicador de custo.

7. Dinheiro não é riqueza

O valor do dinheiro consiste em seu poder de compra. O dinheiro serve como um instrumento para fazer trocas. Quanto maior o poder de compra do dinheiro, maior sua capacidade de negociar.

Mas o dinheiro por si só não é riqueza. É apenas um meio de troca. Riqueza é abundância de bens, serviços e bem-estar. A riqueza de um indivíduo, portanto, reside em sua capacidade de acessar os bens e serviços que deseja.

O governo criar mais dinheiro não significa criar mais riqueza. Uma nação não pode aumentar sua riqueza aumentando a quantidade de dinheiro que possui. Róbinson Crusoé não seria um centavo mais rico se encontrasse uma mina de ouro ou uma pasta cheia de notas de 100 dólares em sua ilha isolada.

8. O trabalho, por si só, não cria valor

Trabalho, quando combinado com outros fatores de produção (matéria-prima, ferramentas e infraestrutura), cria produtos. Mas o valor desses produtos depende de quão útil são para o consumidor.

A utilidade desse produto depende da avaliação subjetiva feita por cada indivíduo, conforme explicamos no item 4. Portanto, criar empregos apenas para mais empregos é economicamente tolo, como explicamos no item 2.

O que realmente importa é a criação de valor, não o quão duro um indivíduo trabalha. Para ser útil, um produto ou serviço deve gerar benefícios ao consumidor. O valor de um bem ou serviço não está diretamente relacionado ao esforço necessário para produzi-lo.

9. Lucro é o prêmio do empreendedor de sucesso

No capitalismo de livre concorrência, o lucro econômico é o bônus extra que uma empresa obtém por saber como alocar adequadamente recursos escassos e por satisfazer as demandas dos consumidores.

Em uma economia estacionária na qual nenhuma mudança ocorre, não haveria lucro nem perda, e todas as empresas teriam a mesma taxa de retorno. Já em uma economia dinâmica e crescente, mudanças ocorrem diariamente no desejo dos consumidores. E aqueles que são mais capazes de antecipar essas mudanças nos desejos dos consumidores e que sabem como direcionar recursos escassos - mão de obra, matérias-primas e bens de capital - para satisfazer esses consumidores colherão os lucros econômicos.

Os empresários capazes de antecipar as demandas futuras dos consumidores obterão as mais altas taxas de lucro e crescerão. Os empresários que não têm a capacidade de antecipar os desejos dos consumidores encolherão até finalmente serem expulsos do mercado.

10. Todos os mandamentos econômicos são puramente lógicas

As leis econômicas são aprioristas, o que significa que elas não precisam ser verificadas anteriormente e não podem ser falsificadas empiricamente.

Ninguém pode falsificar esses mandamentos empiricamente porque eles são verdadeiros em si mesmos. Como tal, os mandamentos fundamentais da economia não requerem verificação empírica. As referências a fatos empíricos servem apenas como exemplos ilustrativos e não representam uma declaração de princípios.

É possível ignorar e violar esses mandamentos fundamentais da economia, mas não é possível alterá-los. Indivíduos e, consequentemente, sociedades, que entendem e respeitam esses 10 mandamentos econômicos prosperarão.