O Brasil está perto de revolucionar a forma como utiliza seu próprio dinheiro. O Banco Central lançou na última quarta-feira, dia 19, o sistema PIX, com o intuito de digitalizar a moeda brasileira, com isso diminuindo custos de transações financeiras entre pessoas, empresas e até o próprio governo.

O país está sendo pioneiro ao testar um sistema de pagamentos instantâneos universal que nem mesmo grandes economias, como China e EUA, possuem. O PIX pretende conectar fintechs, varejistas, pessoas, bancos tradicionais e digitais por meio de um único sistema que poderá transferir fundos de maneira rápida e com custo na casa dos centavos por transação.

O Banco Central manterá uma estrutura baseada no protocolo ISO 20022, que servirá para catalogar usuários e instituições participantes, e também para registrar cada transação operada no sistema. Tudo será rápido, quase como uma comunicação direta. É comparável a uma transação P2P (Peer-to-peer), mas não como Blockchain.

Custo por transação

Diferença dos outros meios de pagamento, no PIX, o custo será fixo. O valor total da compra não deve influenciar no da transação. Não se sabe exatamente quantos centavos uma transação no PIX vai custar, mas o Banco Central já destacou que o valor será bem baixo. Para o cliente que fizer uma carteira digital compatível com o sistema, o custo inclusive vai acabar sendo zero ou diluído no custo de algum serviço fornecido pela contratada.

O chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, Carlos Brandt, disse que o mercado estará livre para cobrar a taxa que quiser dos clientes nas operações com o PIX, mas haverá um controle contra abusos por parte da instituição.

O Banco Central espera que, com a criação desse novo meio de pagamento, algumas tecnologias atuais desapareçam, enquanto outras apenas se tornem menos populares. Em locais mais isolados, por exemplo, o principal concorrente se manterá sendo o dinheiro em espécie. E, ainda que a maior parte dos brasileiros já possua um smartphone, o maior problema agora é o sinal do celular, que nem sempre é bom em locais mais afastados.

Adesão

A partir de junho, o Banco Central obrigará os grandes bancos a adotar a novidade. Como regra, qualquer instituição financeira — banco ou fintech — com mais de 500 mil contas de clientes ativas será obrigado participar do PIX por regulamentação nacional.

De início, esse critério de obrigatoriedade já agrega cerca de 30 instituições que são responsáveis por mais de 90% das contas transacionais ofertadas no Brasil, garantindo assim que a maioria dos brasileiros que já possuem contas em bancos possam se beneficiar da novidade.

Segurança

O sistema contará com forte segurança para evitar invasão direta no gerenciamento feito pelo Banco Central. Contudo, a segurança contra fraudes na ponta dos usuários será feita pelas empresas que fornecerão o serviço de carteira digital. Portanto, a quantidade de fraudes no sistema dependerá do esforço das companhias participantes.